
TECNOLOGIA – ALI Rural transforma propriedades e fortalece pequenos produtores com inovação e gestão
A inovação no campo nem sempre chega em forma de máquinas modernas ou tecnologias complexas. Em muitas propriedades rurais, ela começa com algo mais simples e igualmente transformador, como aprender a planejar, organizar a produção, controlar os custos e enxergar a propriedade como um negócio. Foi justamente esse movimento que marcou o encerramento do 4º ciclo do Programa Agente Local de Inovação (ALI Rural), promovido pelo Sebrae Alagoas nesta terça-feira (28).
A iniciativa integra uma estratégia nacional do Sebrae para levar inovação aos pequenos produtores rurais por meio de acompanhamento técnico contínuo e personalizado. Em Alagoas, o quarto ciclo contou com 14 agentes de inovação, que atenderam cerca de 210 produtores distribuídos pelas regiões Metropolitana, Litoral, Agreste e Sertão. Desde o início do programa, em 2023, mais de mil agricultores familiares já foram acompanhados no estado.
Durante dois anos, cada agente acompanha 30 propriedades, divididas em dois grupos anuais de 15 produtores. O trabalho começa com um diagnóstico detalhado da realidade de cada negócio rural e segue com um plano de ações voltado às principais necessidades identificadas, sempre considerando cinco dimensões da inovação: gestão, processo produtivo, marketing e vendas, sustentabilidade e modernização.
Segundo a analista do Sebrae Alagoas, Jacqueliny Martins, a metodologia parte de um princípio importante: inovar nem sempre significa investir em grandes tecnologias, mas encontrar formas mais eficientes de administrar o negócio.
“A inovação no campo, muitas vezes, está em fazer o simples bem feito. Quando o produtor passa a controlar os custos, entender a formação do preço, organizar a produção e ampliar seus canais de comercialização, ele começa a enxergar resultados concretos. O ALI Rural promove uma mudança de mentalidade que fortalece o negócio e prepara o produtor para crescer de forma sustentável.”
Além do acompanhamento individual nas propriedades, o programa realiza encontros coletivos, visitas técnicas e aproxima os produtores de instituições parceiras, como secretarias municipais, Senar, Emater e outros atores do ecossistema rural, ampliando o acesso a conhecimento, serviços e oportunidades de mercado.
Muito além dos números
Embora indicadores como aumento do faturamento e ampliação dos canais de comercialização façam parte dos resultados acompanhados pelo programa, há impactos que vão além das estatísticas.
Consultora sênior do ALI Rural, Marília Ferro destaca que a metodologia também transforma a forma como o produtor conduz sua propriedade e melhora sua qualidade de vida.
“Os resultados aparecem nos números, mas também na confiança do produtor, na organização da propriedade e na forma como ele passa a tomar decisões. São mudanças que fortalecem o negócio rural e refletem no desenvolvimento das famílias e dos territórios onde elas vivem”.
Antes de iniciar o atendimento, cada propriedade recebe um diagnóstico que identifica seus principais desafios. A partir desse retrato, agentes e produtores constroem, juntos, soluções práticas e compatíveis com a realidade de cada negócio, respeitando o nível de maturidade de cada empreendimento rural.
Sítio Bananas de Mel
Entre os cases apresentados durante o encerramento do ciclo, um dos destaques foi a transformação vivida pelo produtor rural Claudemir José da Silva, do Assentamento Massangana, em Maragogi.
Quando iniciou o acompanhamento do ALI Rural, sua propriedade ainda não possuía identidade própria, havia pouca organização financeira, inexistiam controles gerenciais e oportunidades de venda eram perdidas por falta de emissão de nota fiscal.
Ao lado da agente local de inovação Alessandra Keilla, o produtor reorganizou a gestão da propriedade, passou a registrar receitas e despesas, implantou planejamento produtivo, estruturou ações de marketing e fortaleceu a comercialização dos produtos.
Foi nesse processo que nasceu o Sítio Bananas de Mel, nome que passou a identificar a propriedade e estampou as etiquetas dos produtos comercializados pelo agricultor familiar.
Agente responsável pelo acompanhamento, Alessandra Keilla explica que o maior avanço aconteceu quando o produtor passou a enxergar novas possibilidades para o próprio negócio.
“Nosso trabalho foi mostrar que inovação também acontece por meio das parcerias, da gestão e do planejamento. Construímos soluções junto com outras instituições e ajudamos o Claudemir a visualizar onde queria chegar com sua propriedade. Quando ele passou a olhar o sítio como um empreendimento, os resultados começaram a aparecer naturalmente.”
Além da criação da marca própria, o produtor passou a divulgar os produtos pelo WhatsApp, criou um grupo de clientes, aprendeu a emitir nota fiscal e implantou controles financeiros que hoje orientam suas decisões.
As mudanças refletiram diretamente no desempenho da propriedade. O case registrou aumento de 116% no faturamento, além de evolução significativa nos indicadores de marketing e vendas avaliados pela metodologia do ALI Rural.
Para Claudemir, o principal ganho foi aprender a administrar o próprio negócio.
“Hoje eu planejo melhor minha produção, controlo os gastos, faço anotações, emito nota fiscal e consigo apresentar meus produtos de outra forma. O sítio ganhou identidade, minhas vendas melhoraram e eu passei a enxergar novas oportunidades para crescer. O ALI Rural me mostrou que pequenas mudanças fazem uma grande diferença para quem vive da agricultura familiar”.
Novo ciclo já começa em agosto
Enquanto o quarto ciclo se encerra oficialmente no dia 31 de julho, o Sebrae Alagoas já prepara o início da próxima etapa. A partir de 1º de agosto, 11 novos Agentes Locais de Inovação iniciarão um novo ciclo de dois anos de acompanhamento, levando orientação técnica, ferramentas de gestão e inovação para mais produtores rurais alagoanos.


