
GOVERNO DE ALAGOAS – Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Neide celebra reinauguração de terreiro símbolo de resistência
Palácio teve sua história descrita em livro publicado pela Imprensa Oficial; espaço também abriga ONG que oferta serviços à comunidade do Village Campestre
Diário de uma Mãe de Santo, de Mãe Neide, foi o título mais vendido na 11ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial
Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial
Localizado
no Conjunto Village Campestre II, parte alta de Maceió, o Palácio Oyá D’Oxum
nasceu com o propósito de preservar, fortalecer e disseminar as tradições da
cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana. Território de
ancestralidade e pertencimento, o espaço foi revitalizado por completo, sendo
reaberto à comunidade neste mês de maio, com direito, inclusive, à visita
guiada.
Fundadora
do terreiro que também abriga um centro de formação e inclusão social, Mãe
Neide Oyá D’ Oxum celebra a reabertura do lugar, cuja história foi contada em
“Diário de uma Mãe de Santo”, publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos.
Recorde
de vendas na 11ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, a obra é a
segunda de sua autoria. Nela, a sacerdotisa descreve não apenas a rotina
espiritual de uma mãe de santo, mas, também, o processo de formação do terreiro
que se tornou símbolo de resistência cultural, dos obstáculos em torno da
compra do terreno, adquirido na década de 80, à série de inundações que quase
devastaram o sonho da arapiraquense Maria Neide Martins, a Mãe Neide.
O
livro já foi adotado pela Secretaria de Estado da Ressocialização e
Inclusão Social (Seris) como forma de incentivar a leitura entre os reeducandos
– os encontros acontecem por meio do projeto Makuiu N’ Zambi, idealizado pelo
Pai Manoel Xoroquê, que introduziu as religiões de matriz africana no sistema
prisional, fortalecendo a liberdade de culto e a assistência espiritual
ofertada aos apenados.

Hoje,
o Palácio Oyá D’ Oxum é mais que um templo religioso. Isso porque, há 30 anos,
Mãe Neide decidiu ir além do acolhimento espiritual ao fundar a ONG Inaê, que
funciona em um espaço anexo. Nele, 160 famílias em situação de vulnerabilidade
podem acessar vários serviços de saúde, além de cursos profissionalizantes que
fomentam o empreendedorismo, com destaque para o laboratório de gastronomia.
Some-se a isso a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), ferramenta com a
qual também é possível promover a educação antirracista.
“O
terreiro é, de fato, a realização de um sonho. E a ONG surgiu dessa preocupação
que sempre tivemos de assistir uma comunidade aflita. Ela [a
ONG] começou pequena, quando tínhamos apenas uma roda de capoeira. Hoje, graças
a parceiros como o Sebrae e a Ufal, conseguimos dar perspectiva de vida para
muitos jovens, abrindo horizontes com a oportunidade de geração de renda. Não
paramos sequer com a pandemia [da Covid-19]. Foi assim com muitas mulheres que
daqui saíram costureiras e empoderadas”, recorda a yalorixá que é Patrimônio
Vivo de Alagoas.
Com
a reinauguração, o mesmo Palácio Oyá D’ Oxum também ganhou o Memorial Oxum
Danguê, cujos óculos de realidade virtual apresentam mais de 100 peças que
ajudam a contar a história de uma família de santo, com destaque para os
assentamentos dos orixás de Pai Rubilho de Oxum e Mãe Celina de Oxalufan.

“Foi
muito gratificante ver a nossa casa tomada por pessoas de todas as classes
sociais. Tivemos que pedir à Prefeitura que fechasse a rua principal, numa
clara demonstração de que nossa luta contra o preconceito começa a dar resultado.
A então proprietária do terreno chegou a dizer que não o venderia para uma
macumbeira. Foram muitas as dificuldades. Muita gente não acredita, mas já
enfrentamos 14 enchentes ao longo desse tempo. Cheguei ao ponto de me trancar
no quarto para não mais presenciar tudo aquilo. E tudo isso é retratado em
Diário de uma Mãe de Santo”, reforça a patronesse da Bienal 2025.
Mãe
de quatro filhos biológicos e de aproximadamente 200 filhos de santo, Mãe Neide
destaca a importância da obra como ferramenta de conhecimento, espiritualidade
e resistência. “Sou
muito grata à Imprensa Oficial pela oportunidade me foi proporcionada. Pude
trilhar um caminho de cura ao escrever esse livro, que não só conta a minha
história, mas também fortalece o combate à discriminação em nosso estado, terra
da Quebra de Xangô. E espero que iniciativas como essa possam conscientizar
cada vez mais pessoas de que a população negra merece mais que respeito”,
reflete a também gastróloga.

Além
de Diário de uma Mãe de Santo, Mãe Neide também é autora do livro de receitas
Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-Indígenas, que reúne mais de 130 páginas com
iguarias que celebram a culinária tradicional dos povos originários.
Ambos
integram a Coleção Mulheres Extraordinárias e podem ser adquiridos na sede da
Imprensa Oficial Graciliano Ramos, localizada à Avenida Fernandes Lima, s/n,
bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, ou pelo site www.imprensaoficial.al.gov.br.
O diretor-presidente da Imprensa Oficial, Mauricio Bugarim, destaca o alcance da
obra de Mãe Neide, Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual de Alagoas
(Uneal). “Foi
uma honra poder contribuir para que mais esse livro se tornasse realidade. É a
segunda publicação de uma obra escrita por Mãe Neide. Isso demonstra que a
editora do Governo de Alagoas valoriza, verdadeiramente, a diversidade e a
cultura local, fomentando a inclusão e combatendo todas as formas de
preconceito em nosso estado”, avalia o gestor.
FONTE: Governo de Alagoas









