BRASIL – Número recorde de trabalhadores humanitários mortos em conflitos este ano, alerta ONU. Maioria das vítimas ocorreu em Gaza.

O ano de 2024 ficará marcado como o mais letal para os trabalhadores humanitários, segundo o relatório divulgado pelo escritório humanitário da ONU nesta sexta-feira. Com um total de 281 mortes registradas, superou o recorde de 2023, que contabilizava 280 mortes. A maioria dessas tragédias ocorreu no conflito de Gaza, com 178 vítimas nos territórios palestinos ocupados.

Entre os dados alarmantes apresentados pelo banco de dados Aid Worker Security, destaca-se que 25 dessas mortes aconteceram no Sudão. De acordo com Jens Laerke, porta-voz do Escritório Humanitário da ONU, “essas pessoas estão fazendo o trabalho de Deus e estão sendo mortas como resposta. Que diabos?”. A indignação foi evidente durante uma coletiva de imprensa em Genebra, onde autoridades se manifestaram sobre a gravidade da situação.

A maioria das vítimas eram funcionários locais, mas também houve 13 trabalhadores humanitários internacionais entre os mortos. Apesar da proteção garantida pela lei humanitária internacional, poucos casos desse tipo chegam a julgamento, levantando preocupações sobre o acesso futuro a grupos humanitários e a dificuldade de comprovar a intenção por trás desses ataques.

Em sua declaração, o chefe de ajuda da ONU, Tom Fletcher, condenou veementemente a violência contra os trabalhadores humanitários, classificando-a como “inaceitável e devastadora para as operações de ajuda”. Ele ressaltou a importância de os Estados e as partes em conflito cumprirem seus deveres de proteção e responsabilização, encerrando assim o ciclo de impunidade que assola essas situações.

Diante de um cenário tão alarmante, é crucial que medidas efetivas sejam tomadas para garantir a segurança e o respeito aos direitos dos trabalhadores humanitários, que arriscam suas vidas diariamente em prol dos necessitados. O mundo precisa agir urgentemente para pôr um fim a essa onda de violência e assegurar um ambiente propício para a atuação desse setor fundamental para a paz e a dignidade humana.