GOVERNO DE ALAGOAS – Escuta, acolhimento e proteção: o papel do Centro Especializado Jarede Viana na vida de mulheres alagoanas

Equipe multidisciplinar atua no apoio psicológico, jurídico e social de vítimas da violência de gênero

Ceam atende mulheres vítimas de todos os tipos de violência de gênero

Ascom Semu

Maria Luiza Lúcio/Ascom Semu

A porta de entrada do Centro Especializado de Atendimento à
Mulher (Ceam) Jarede Viana é a escuta qualificada. O atendimento começa assim
que a mulher chega ao local. Inicialmente, ela passa por uma triagem, na qual
são coletadas informações para a abertura do prontuário. Em seguida, é acolhida
pela equipe multidisciplinar, formada por cinco psicólogas, uma assistente
social e uma advogada, que avaliam cada situação para realizarem os
encaminhamentos necessários.

 

O Ceam atende mulheres vítimas de todos os tipos de violência
de gênero, oferecendo acompanhamento psicológico, orientação e encaminhamento
jurídico, além do acesso à rede socioassistencial e de saúdem, quando
necessário. Nos casos que não envolvem violência doméstica, a equipe também
orienta e encaminha a mulher para os órgãos mais adequados da rede de proteção.

 

De acordo com a coordenadora da unidade, Christiane Omena,
muitas mulheres chegam ao Ceam em busca de acolhimento especializado e
segurança necessária para dar continuidade à denúncia formal e romper o ciclo
da violência. “O atendimento psicológico e os esclarecimentos jurídicos
ajudam a fortalecer essas mulheres para que elas possam seguir com o processo e
buscar seus direitos”, explica.

 

Para mulheres que vivem uma situação de violência e ainda não
sabem como buscar ajuda, a orientação da coordenadora é procurar alguém de
confiança e buscar apoio em órgãos especializados, como o próprio Ceam ou a Delegacia
da Mulher. “O primeiro passo é não enfrentar essa situação sozinha. Existe
uma rede preparada para acolher, orientar e acompanhar essas mulheres durante
todo o processo”, destaca.

 

Apoio psicológico

 

Além do suporte jurídico e social, o atendimento psicológico
é uma das principais ferramentas de acolhimento oferecidas pelo Ceam. Segundo a
psicóloga da unidade, Tatyanne Barreto, o trabalho começa pela escuta atenta e
sem julgamentos, criando um espaço seguro para que a mulher possa falar sobre
sua vivência e compreender a situação que enfrenta.

 

Segundo a profissional, muitas mulheres chegam ao serviço
emocionalmente fragilizadas e, por vezes, sem conseguir identificar a violência
sofrida ou visualizar caminhos para romper esse ciclo. Nesse contexto, o
acompanhamento psicológico busca promover a compreensão da violência de gênero,
fortalecer a autoestima e contribuir para que a mulher recupere sua autonomia e
segurança para tomar decisões sobre sua própria vida.

 

A psicóloga esclarece que os impactos emocionais provocados
pela violência podem variar de acordo com a história de cada mulher, mas
quadros de ansiedade, depressão e síndrome do pânico estão entre os mais
frequentes observados pela equipe. Por isso, o atendimento oferecido pelo Ceam
vai além do acolhimento inicial. As assistidas podem contar com acompanhamento
psicológico continuado, voltado ao enfrentamento das consequências emocionais
causadas pela violência.

 

Sobre o trabalho integrado, Tatyanne explica que a
psicologia, a assistência social e o atendimento jurídico atuam de maneira
interdisciplinar, compartilhando estratégias e encaminhamentos para garantir um
atendimento adequado às necessidades de cada caso.

 

O acesso ao acompanhamento psicológico pode acontecer tanto
por procura espontânea quanto por encaminhamento de serviços que integram a
rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Após o agendamento, a
assistida passa pelo acolhimento e inicia o acompanhamento junto à equipe
especializada do Ceam.

 

Buscar proteção e seguir em frente

 

O atendimento jurídico é outro pilar fundamental da atuação
do Ceam. Mais do que orientar sobre processos e encaminhamentos, o trabalho da
equipe busca garantir que as mulheres compreendam seus direitos e se sintam
amparadas durante todo o processo de enfrentamento à violência.

 

Segundo a advogada Beatriz Vasco, a atuação jurídica começa
ainda no acolhimento inicial, realizado em conjunto com a psicóloga e a
assistente social. Durante a escuta da mulher, a profissional identifica
possíveis demandas jurídicas e esclarece dúvidas sobre direitos que, muitas
vezes, a assistida sequer sabe que possui. A partir dessa análise, são
realizados encaminhamentos para órgãos como a Defensoria Pública, Delegacia da
Mulher e outros serviços da rede de proteção.

 

Entre as dúvidas mais frequentes estão os desdobramentos após
o registro do boletim de ocorrência, o funcionamento das medidas protetivas e o
andamento dos processos judiciais. “Muitas mulheres chegam ao Ceam sem saber
quais são seus direitos ou quais caminhos precisam percorrer para acessá-los.
Existe um cenário de desinformação e, muitas vezes, de receio em relação ao
sistema de justiça”, explica a advogada.

 

Além dos encaminhamentos formais, o acompanhamento jurídico
também inclui orientações contínuas sobre audiências, medidas protetivas,
processos de divórcio, pensão alimentícia e outras demandas que surgem ao longo
do atendimento. Mesmo após o acolhimento inicial, muitas mulheres mantêm
contato com o Ceam para esclarecer dúvidas ou buscar novos encaminhamentos,
fortalecendo o vínculo com a rede de proteção.

 

Para Beatriz, compreender os próprios direitos é um passo
importante para romper o ciclo da violência. “Quando a mulher entende que
está amparada pela lei e pelas instituições, ela se sente mais fortalecida para
buscar proteção e seguir em frente”, afirma.

 

A advogada destaca ainda que o atendimento jurídico
humanizado é essencial para acolher mulheres que chegam ao serviço em situação
de vulnerabilidade. Mais do que explicar procedimentos legais, o objetivo é
oferecer informações de forma acessível, respeitosa e acolhedora, garantindo
que cada mulher compreenda seus direitos e encontre os caminhos necessários
para reconstruir sua autonomia e segurança.

 

Atuação integrada e outros projetos

 

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede
Viana foi reinaugurado no último dia 10, passando a contar com uma estrutura
mais adequada para o atendimento às mulheres. O espaço dispõe de salas que
garantem privacidade durante os atendimentos e também de um ambiente infantil,
implantado em parceria com a Secretaria de Estado da Primeira Infância de
Alagoas (Secria), destinado a crianças que acompanham as mães durante o
acolhimento.

 

Além do atendimento direto, o Ceam atua de forma integrada
com outros serviços. Os encaminhamentos são realizados tanto por meio de
documentos entregues às assistidas quanto por articulação institucional com os
órgãos da rede de proteção. Essa atuação conjunta garante que as mulheres
tenham acesso aos diversos serviços necessários para sua segurança, autonomia e
reconstrução de vida.

A prevenção à violência também faz parte do trabalho
desenvolvido pela unidade. Entre as ações está o Cine Ceam, projeto que utiliza
o cinema como ferramenta de reflexão e sensibilização sobre temas como
machismo, misoginia e violência de gênero.

 

O equipamento também desenvolve o projeto Dia Delas,
realizado junto às mulheres privadas de liberdade, com oferta de atendimentos
de saúde, exames, vacinação, orientação e serviços voltados ao fortalecimento
da autoestima. Já o Dia das Guardiãs Delas é direcionado às policiais penais
que atuam nas unidades femininas, oferecendo atividades de cuidado, saúde e
bem-estar.

 

Além disso, o Ceam promove palestras, oficinas e atividades
educativas sobre a Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra as
mulheres, fortalecendo a conscientização e a prevenção em diferentes espaços da
sociedade.

 

Serviço:

 

Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Jarede
Viana

Endereço: Avenida Gustavo Paiva, nº 3298, Mangabeiras –
Maceió/AL

Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

Contato: (82) 3315-1740 | 82 98867-6434

E-mail: ceam.semu.al@gmail.com


FONTE: Governo de Alagoas

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