GOVERNO DE ALAGOAS – Cirurgiã plástica do HGE alerta para aumento do risco de queimaduras no período junino

Anna Lima diz que as escaldaduras provocadas por líquidos quentes continuam entre os acidentes mais frequentes, especialmente envolvendo crianças

A cirurgiã plástica acrescenta que pacientes queimados precisam de acompanhamento especializado

Thallysson Alves / Ascom HGE

Thallysson Alves / Ascom HGE

Com a proximidade das festas
juninas e os jogos da Copa do Mundo de Futebol, o risco de
queimaduras aumenta. A atenção, por conta disso, deve ser redobrada,
conforme alerta a cirurgiã plástica Anna Lima, que coordena a
Unidade de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE).

 

Para evitar acidentes na hora do
preparo dos alimentos típicos, é necessário adotar medidas preventivas.
“Mantenha as panelas com os cabos voltados para o interior do fogão; evite
toalhas compridas sobre mesas onde haja recipientes quentes; não carregue
crianças enquanto manipula líquidos ferventes; mantenha fósforos, isqueiros e
fogos de artifício fora do alcance dos menores; evite as fogueiras; não utilize
álcool ou substâncias inflamáveis para acender fogo; e mantenha constante o
supervisionamento de crianças durante celebrações juninas”, aconselha Anna
Lima.

 

Em situações de queimadura, a
recomendação da cirurgiã plástica do HGE é resfriar a área atingida com água
corrente limpa, em temperatura ambiente, por alguns minutos. Ela orienta que
não devem ser aplicados produtos caseiros, como manteiga, pasta de dente, pó de
café, teia de aranha, óleo ou pomadas sem orientação profissional.

“Em seguida, o paciente deve ser
encaminhado para avaliação médica, na unidade de urgência e emergência mais
próxima, principalmente quando houver queimaduras extensas, profundas ou em
regiões sensíveis, como rosto, mãos, pés e genitais. Mediante avaliação e, em
caso de necessidade, o paciente será transferido para o CTQ do HGE”,
pontua Anna Lima.

 

O serviço

 

O CTQ do HGE desempenha
papel fundamental na assistência às vítimas em Alagoas. A unidade reúne
profissionais especializados e estrutura voltada ao atendimento de pacientes
com queimaduras de diferentes graus de complexidade.

 

“Além do tratamento imediato,
muitos pacientes necessitam de acompanhamento prolongado, procedimentos
cirúrgicos, curativos especializados e reabilitação física e emocional.
Dependendo da gravidade, as sequelas podem impactar a mobilidade, a autoestima,
a convivência social e a qualidade de vida”, acrescenta Anna Lima.

 

Exemplo 

 

O que seria apenas mais um momento
em família se transformou em horas de angústia para a empreendedora Maria
Eduarda Sátiro Venancio, de 24 anos. Sua filha, Maria Eleonora da Silva Sátiro,
de apenas um ano, sofreu queimaduras após derrubar uma xícara com água quente
que estava sobre a mesa de jantar. Com o acidente, a família teve que viajar de
Atalaia à Maceió, onde está o CTQ do HGE.

 

“A minha sobrinha estava fazendo um
cappuccino e deixou a xícara com água quente em cima da mesa. E Eleonora, como
está na fase de começar a andar, foi em direção à xícara. A gente até tentou
intervir, mas não conseguimos. Ela se queimou, tirei a blusa e fui diretamente
para o ventilador, mas, como vi a pele descamando, fomos logo para o hospital
da minha cidade”, lembra Maria Eduarda, que é casada e tem outra filha de
quatro anos.  

 

Com queimaduras de segundo grau na
face, no tronco e no braço esquerdo, Maria Eleonora foi transferida para
o HGE, onde recebeu assistência especializada de equipe multidisciplinar
no CTQ, única unidade em Alagoas referência para o atendimento de pacientes
vítimas desse tipo de trauma. A menor precisou ficar internada por oito dias,
mas já recebeu alta hospitalar e agora só retorna à maior unidade de urgência e
emergência de Alagoas para a troca de curativos.

 

“Eu não sabia que
o HGE tinha essa unidade, vim conhecer agora. Achei maravilhoso o
atendimento, a atenção, todo o cuidado dos profissionais. O tratamento tem sido
espetacular! E agora, depois desse susto, fica o aprendizado, a importância de
conscientizar outras pessoas sobre a prevenção de queimaduras, de redobrar a
atenção com as crianças, pois elas nos cegam”, afirma a mãe.

 

Dados

 

O caso de Maria Eleonora faz parte
de uma realidade enfrentada diariamente pelas equipes de saúde. Entre janeiro e
maio deste ano, o HGE registrou 127 atendimentos a vítimas de
queimaduras, exatamente o mesmo quantitativo observado no mesmo período de 2025.
Durante todo o ano de 2025, 288 pessoas foram admitidas com ferimentos causados
por queimadura; em 2024 foram 307.

 

“Estudos brasileiros apontam que as
queimaduras causadas por líquidos quentes estão entre os principais tipos de
acidentes envolvendo crianças pequenas. A maior parte ocorre dentro de casa,
especialmente durante o preparo ou consumo de alimentos e bebidas quentes.
Pesquisas mostram ainda que crianças menores de cinco anos são as mais
vulneráveis, devido à curiosidade natural e à dificuldade de reconhecer
situações de perigo”, enfatiza a cirurgiã plástica do CTQ do HGE, Anna Lima.


FONTE: Governo de Alagoas

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