
GOVERNO DE ALAGOAS – Alagoas Lilás: Percurso Formativo Territorial conclui ciclo de capacitação para atendimento às mulheres vítimas de violência
Foram realizadas 17 edições voltadas à qualificação dos profissionais permitindo otimização, ampliação e agilidade na rede de proteção
Ação percorreu todas as regiões do estado, com o objetivo de capacitar profissionais
Ascom Semu
Pedro Acioli/Ascom Semu
O Percurso Formativo Territorial do Alagoas Lilás, iniciativa
da Secretaria de Estado da Mulher de Alagoas (Semu), foi concluído nesta semana
com a última etapa realizada no município de Pilar, na Região Metropolitana de
Maceió. Ao longo do ciclo, a ação percorreu todas as regiões do estado, com o
objetivo de capacitar profissionais e fortalecer a atuação dos órgãos e
serviços de todo o estado que prestam assistência às mulheres em situação de
violência.
Foram 17 edições voltadas ao aprimoramento dos fluxos e a maior agilidade no
atendimento, além da qualificação do acolhimento às vítimas. A formação é
conduzida com a participação de especialistas de institutos como o Geni e o
Natura, que atuam no fortalecimento das capacidades do estado, além de
psicólogos do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam).
Uma dessas profissionais do Ceam – que terá o nome preservado – participou da etapa em Maceió e explica que a
principal meta do Percurso Formativo Territorial é garantir um atendimento
ético, humanizado e eficaz às mulheres em situação de violência.
“As capacitações permitem aos profissionais que compreendam a
violência como um fenômeno complexo e multifatorial, e não apenas um evento
isolado; evitem práticas de revitimização, como culpabilização ou julgamento da
vítima; atuem com base em protocolos e legislações vigentes, como a Lei Maria
da Penha; e desenvolvam habilidades para identificar riscos iminentes,
acolhendo adequadamente e encaminhando de forma segura”, detalha.

Metodologias e conteúdos
Para capacitar as servidoras, as formadoras costumam utilizar metodologias
teórico-práticas, ou seja, que busquem priorizar a aplicação no cotidiano dos
serviços. Entre elas, existem alguns conteúdos que são mais abordados,
como:
– Tipos e ciclos da violência (física, psicológica, moral,
patrimonial, sexual);
– Dinâmica da violência doméstica e de gênero;
– Rede de proteção e fluxos de encaminhamento;
– Escuta qualificada e acolhimento;
– Avaliação de risco e medidas protetivas;
– Aspectos legais (especialmente a Lei Maria da Penha);
– Impactos psicológicos do trauma.
Ao final, a qualificação impacta diretamente na qualidade do
acolhimento, já que promove uma escuta qualificada, em que o profissional
aprende a ouvir sem julgamento, validando a experiência da mulher. Além disso,
traz uma postura empática e ética que reduz abordagens culpabilizadas ou
invasivas.
“Também há segurança no manejo de crise, com um melhor preparo para situações
de risco. Respeito ao tempo da vítima, compreendendo que o rompimento do ciclo
de violência é um processo, e um encaminhamento adequado, garantindo acesso aos
serviços certos no momento certo”, disse a profissional.
Para a integrante do Ceam, toda a metodologia e os conteúdos utilizados podem
também aumentar a adesão às medidas de proteção. “Isso contribui para que a mulher se sinta segura, respeitada e fortalecida, o
que aumenta a adesão ao acompanhamento e às medidas de proteção”,
explica.

Integração entre os órgãos
Uma das estratégias para o aprimoramento do acolhimento às
mulheres é a integração entre os órgãos, um elemento essencial que ocorre por
meio da chamada rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
Essa rede pode envolver saúde, assistência social, segurança pública, sistema
de justiça e organizações de apoio. E o funcionamento ocorre por meio de fluxos
de encaminhamento bem definidos, evitando que a mulher fique “perdida” entre os
serviços.
Na integração, há a comunicação interinstitucional para
garantir a continuidade do atendimento, além de reuniões de rede voltadas à
discussão de casos e ao alinhamento de estratégias. Também são adotados protocolos
conjuntos, que orientam a atuação integrada, e o compartilhamento responsável
de informações, sempre com respeito ao sigilo.
“Essa articulação possibilita um atendimento mais completo, contínuo e efetivo,
reduzindo falhas e fortalecendo a proteção da mulher”, afirma a integrante do
Centro Especializado de Atendimento à Mulher.
Como funcionou o Percurso Formativo Territorial pelo
estado
Com a conclusão da edição em Pilar, nos primeiros meses de
2026, o Percurso Formativo Territorial passou por todas as regiões de Alagoas
ao longo de 17 etapas e alcançou uma adesão de 97% dos municípios de Alagoas.
Em cada uma delas, um município-sede foi definido, recebendo representantes de
cidades vizinhas para capacitação.
Nesta semana, Pilar foi escolhida como cidade-sede e, juntamente com as cidades
de Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Rio Largo, Flexeiras, Messias, São
José da Laje, teve profissionais dos órgãos dos municípios qualificados.
Resultados e próximos passos
Para a Superintendente de Políticas para Mulheres na
Secretaria de Estado da Mulher de Alagoas, Izabelly Keline, com o fim do
primeiro módulo de qualificações, a expectativa é a diminuição no processo de
sofrimento contínuo das vítimas, geralmente causado por procedimentos
institucionais insensíveis, além da prevenção de violência.
“A nossa intenção é que tenha uma redução na revitimização, a
melhoria na qualidade do atendimento e uma ampliação do acesso das mulheres aos
serviços. Então, com isso, acredito que a gente consegue prevenir a violência e
reduzir os feminicídios em todo o estado”, destaca a superintendente.
Ainda de acordo com Izabelly, a próxima etapa está prevista
para ocorrer entre junho e agosto, com a participação de dois representantes de
cada município que integrou o programa.
“Vão ser selecionadas duas pessoas de cada município que
participou da política do Alagoas Lilás. Essas pessoas irão passar por um outro
tipo de formação, que é o da rota crítica, e elas vão ser multiplicadoras da
política no município delas”, afirmou.
Alagoas Lilás
Instituído pelo Governo de Alagoas em 1º de agosto de 2025, o
Alagoas Lilás é a primeira política pública estadual permanente do Brasil
voltada ao enfrentamento da violência doméstica contra a mulher. A iniciativa
tem como objetivo fortalecer a rede de proteção, humanizar o acolhimento,
reduzir os casos de feminicídio e integrar os 102 municípios alagoanos por meio
de ações de prevenção, proteção e apoio especializado.
FONTE: Governo de Alagoas


