BRASIL – Estudo aponta crescimento de anúncios maliciosos nas redes sociais da Meta, mesmo após recuo do governo federal.

O Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgou nesta quarta-feira (5) os resultados de uma pesquisa que analisou a presença de anúncios maliciosos nas redes sociais administradas pela Meta, incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp. O estudo teve como objetivo aprofundar o entendimento sobre a publicidade enganosa e os golpes aplicados aos cidadãos brasileiros por meio dessas plataformas.

Segundo os resultados obtidos, as plataformas da Meta se tornaram um terreno fértil para golpistas praticarem fraudes, especialmente após a onda de notícias falsas que surgiu em decorrência da edição da Instrução Normativa 2.219/2024 pela Receita Federal, que gerou dúvidas na população sobre a taxação de transações por Pix. O recuo do governo federal em relação a essa medida acabou impulsionando os golpes, com um aumento de 35% na veiculação de conteúdos fraudulentos nas plataformas da Meta.

O estudo identificou 151 anunciantes que compartilharam 1.770 anúncios com conteúdo malicioso, além de 87 sites fraudulentos para os quais os usuários eram redirecionados. Os golpistas se passavam por instituições públicas e privadas, com 40,5% dos anúncios sendo veiculados por anunciantes que se faziam passar pelo governo federal. Entre as promessas enganosas estavam o acesso a programas governamentais reais e fictícios, como Resgata Brasil e Benefício Cidadão.

A falta de transparência no tratamento de dados pessoais e a capacidade das ferramentas de marketing da Meta em segmentar os públicos de acordo com diversos critérios foram apontadas como facilitadores para os golpistas atingirem suas vítimas ideais. A utilização de inteligência artificial também foi destacada, com 70,3% dos anúncios fraudulentos fazendo uso dessas tecnologias, inclusive para criar deepfakes com personalidades públicas.

Diante dessas informações, fica evidente a necessidade de um maior controle e segurança contra a publicidade enganosa nas redes sociais, principalmente naquelas administradas pela Meta. A empresa afirmou que não permite anúncios fraudulentos em suas plataformas e recomenda que os usuários denunciem conteúdos suspeitos. No entanto, o desafio persiste, e a moderação do conteúdo publicitário nessas redes continua sendo uma preocupação para os pesquisadores do NetLab e para a sociedade em geral.