BRASIL – Anistia Internacional acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza em relatório de quase 300 páginas, governo de Tel-Aviv nega acusações.

A Anistia Internacional, renomada organização de direitos humanos, divulgou um extenso relatório nesta quinta-feira (5), contendo quase 300 páginas, onde classifica as ações de Israel na Faixa de Gaza como genocídio. Essa acusação, que também foi apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), é veementemente negada pelo governo de Tel-Aviv. Segundo a Anistia Internacional, o bloqueio de ajuda humanitária, os massacres de civis em grande escala e a destruição da infraestrutura de Gaza, incluindo hospitais, escolas e mesquitas, além de relatos de prisões e torturas, evidenciam a intenção deliberada de Israel de cometer genocídio.

O genocídio é caracterizado pelo ato de destruir total ou parcialmente um grupo de pessoas com base em características como nacionalidade, etnia, raça ou religião. A diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, ressaltou que Israel agiu com clara intenção de destruir os palestinos de Gaza, cometendo atos como assassinatos, tortura e criação de condições de vida que visam a destruição do grupo.

O relatório examinou as ações de Israel entre outubro de 2023 e julho de 2024, além de entrevistar diversas testemunhas e vítimas palestinas, autoridades locais de Gaza e profissionais de saúde. Foram analisadas evidências visuais e digitais, incluindo imagens de satélite, além de declarações de autoridades israelenses.

Segundo a Anistia Internacional, a destruição e os danos causados em Gaza são sem precedentes no século 21, afetando cerca de 62% das residências na região. A organização destaca que as justificativas dadas por Israel para essas ações, como o combate ao Hamas, não são suficientes para explicar a escala de destruição e morte em Gaza.

Diante das acusações, os representantes de Israel afirmaram em Haia que há uma “distorção da realidade” por parte dos acusadores, defendendo-se das acusações de genocídio. Para Israel, a denúncia é uma difamação destinada a negar o direito legítimo de defesa contra o terrorismo. Entretanto, a Anistia Internacional reforça que não há justificativa para as ações de Israel e que as medidas tomadas pelo governo israelense demonstram claramente uma intenção de genocídio.