BRASIL – Número de alertas do Coaf sobre apostas em países acusados de lavagem de dinheiro preocupa autoridades durante audiência no STF.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está alertando para um aumento significativo no número de alertas recebidos de unidades de inteligência financeira (UIFs) no exterior, especialmente de países como Malta e Gibraltar. Esses países têm sido acusados de não combater efetivamente a lavagem de dinheiro e são sede de empresas de apostas online internacionais, conhecidas como “bets”.

Durante uma audiência realizada no Supremo Tribunal Federal, o diretor de supervisão do Coaf, Rafael Bezerra Ximenes de Vasconcelos, destacou que os alertas de suspeitas estão relacionados a apostas feitas por pessoas cuja renda não condiz com o nível de apostas realizadas, assim como por indivíduos politicamente expostos. Segundo Vasconcelos, nos últimos dois anos, houve um aumento significativo no número de alertas emitidos por UIFs estrangeiras para a UIF brasileira, chamando a atenção para transações suspeitas.

O diretor ressaltou a importância de regulamentar o setor de apostas no Brasil de acordo com padrões internacionais de combate à lavagem de dinheiro. Ele alertou que o ramo de apostas é usado para lavar dinheiro de atividades ilícitas, como o financiamento do tráfico de drogas e terrorismo, representando riscos diferenciados de uso para atividades criminosas.

Durante a mesma audiência, o advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu a necessidade de regulamentação das apostas, destacando a importância de proteger as pessoas mais vulneráveis e prevenir problemas de saúde pública, como o vício em jogos de azar. Messias citou estudos do Ministério da Saúde que apontam os transtornos causados pelo vício em jogos de azar, semelhantes aos provocados por substâncias químicas.

O debate sobre a regulamentação das apostas no Brasil envolveu ainda representantes do Banco Central, que apresentaram dados sobre o tamanho econômico do mercado de apostas no país. Segundo as informações divulgadas, as empresas de apostas receberam cerca de R$ 20 bilhões de 24 milhões de apostadores, sendo que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram aproximadamente R$ 3 bilhões em apostas, com uma média de R$ 100 por aposta.

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator do processo que trata da questão da regulamentação das apostas online. Com base nas exposições dos participantes, Fux irá elaborar seu voto e liberar o processo para julgamento, cuja data ainda não foi definida. O processo foi protocolado na Corte pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que alega que a legislação atual causa impactos negativos nas classes sociais menos favorecidas e contribui para o aumento do endividamento das famílias.

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