BRASIL – Disparos no transporte público do Rio de Janeiro deixam 156 pessoas baleadas em 8 anos, aponta pesquisa do Instituto Fogo Cruzado

Nos últimos oito anos, 156 pessoas foram baleadas no transporte público da região metropolitana do Rio de Janeiro, de acordo com um levantamento do Instituto Fogo Cruzado. Destas vítimas, 56 perderam a vida e 100 ficaram feridas. Em 2024, 14 pessoas já foram atingidas nessas condições, o que ressalta a gravidade do problema.

O coordenador do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, Carlos Nhanga, enfatizou a sensação de insegurança constante que esses números trazem para quem circula na região. Os tiroteios recorrentes em operações policiais e disputas entre facções criminosas representam um risco iminente para a população, resultando em vítimas inocentes. A dinâmica de confrontos e disputas por territórios na cidade contribui para esse cenário de violência armada.

Casos recentes, como o de um passageiro atingido em um ônibus na Linha Amarela durante uma operação policial em Pilares, e a ação no Complexo de Israel, que deixou três mortos e dois feridos, ilustram a gravidade da situação. Este último caso resultou na morte de um passageiro que estava em um ônibus, demonstrando a vulnerabilidade da população mesmo dentro dos transportes públicos.

O estudo do Instituto Fogo Cruzado também revelou que 40 das 156 vítimas nos últimos oito anos foram atingidas em meio a ações policiais, com 12 mortes e 28 feridos. Nhanga questionou a eficácia dessas operações, destacando a impacto negativo nas favelas e nos serviços públicos. Além disso, o mapeamento dos números de baleados dentro do transporte público desde 2016 evidencia a gravidade e persistência do problema ao longo dos anos.

A questão das balas perdidas também preocupa, com 93 vítimas somente em 2024 na Região Metropolitana do Rio. O confronto constante na cidade torna as pessoas mais suscetíveis a serem atingidas por balas perdidas, seja no transporte, na rua ou até mesmo em suas casas. A comparação com outras regiões, como a Bahia, evidencia a gravidade da situação no Rio de Janeiro, onde os tiroteios diários representam uma realidade preocupante para a segurança pública.