
QUEM É O MANDANTE? – Empresa de Brasília com capital de R$ 10 mil é apontada como anunciante de campanha política contra o MDB em Alagoas
Uma microempresa sediada em Brasília, com capital social declarado de R$ 10 mil, aparece como responsável pela contratação de anúncios políticos no YouTube direcionados ao público de Alagoas. A informação foi identificada a partir dos mecanismos de transparência da plataforma e divulgada pelo jornalista Cadu Amaral, que aponta a Alcance Mídia Programática Ltda. como anunciante de conteúdos críticos ao governo estadual e a lideranças do MDB, entre elas o governador Paulo Dantas e os senadores Renan Filho e Renan Calheiros.
Segundo a reportagem, a empresa foi constituída em julho de 2022, atua no ramo de publicidade e funciona em um endereço localizado em um condomínio residencial no Distrito Federal. Embora essas características não representem, por si só, qualquer irregularidade, o caso levanta questionamentos sobre a origem dos recursos empregados na campanha, a identidade do contratante e quem seria o beneficiário político da publicidade.
Os anúncios teriam sido exibidos de forma segmentada para usuários de Alagoas, independentemente de seguirem ou não os canais que hospedavam os vídeos. Como ocorre nas campanhas pagas da plataforma, o impulsionamento permite selecionar localização, perfil do público e período de exibição, ampliando significativamente o alcance das peças publicitárias.
A nova revelação amplia uma denúncia anterior envolvendo o canal “Farol Digital”, que, mesmo possuindo apenas quatro inscritos, ultrapassou 1,1 milhão de visualizações em dois vídeos com críticas a Paulo Dantas e Renan Filho. Após a repercussão do caso, o canal deixou de estar disponível. Agora, a identificação da Alcance Mídia Programática como anunciante acrescenta novos elementos à apuração, que deverá esclarecer quem financiou a campanha, quanto foi investido e quem definiu a segmentação dos anúncios para o eleitorado alagoano.
A legislação eleitoral estabelece regras específicas para o impulsionamento de conteúdo político. A Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral determina que esse tipo de publicidade deve ser contratado por partidos, federações, candidatos ou pessoas que pretendam disputar eleições, além de vedar o uso de anúncios pagos para propaganda negativa contra adversários políticos. A norma também prevê sanções em caso de descumprimento.
A reportagem ressalta, entretanto, que a simples identificação da agência na ferramenta de transparência do Google não permite concluir quem é o responsável político ou financeiro pela campanha. A empresa pode ter atuado apenas como prestadora de serviços, hipótese que dependerá de esclarecimentos sobre quem solicitou a publicidade, quem forneceu os recursos e quem foi efetivamente beneficiado pelos anúncios.


