
DISPUTA NOS TRIBUNAIS – Renan Calheiros aciona Tribunal Regional Eleitoral para barrar divulgação de amostragem em Alagoas
Senador aponta omissão de nomes na lista de concorrentes ao Senado e aponta falhas técnicas em levantamento do Instituto Paraná Pesquisas previsto para esta sexta-feira
O cenário político de Alagoas ganhou um novo capítulo jurídico com a iniciativa do senador Renan Calheiros de ingressar com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral. O parlamentar busca suspender a publicação de um estudo de intenção de voto realizado pelo instituto Paraná Pesquisas, cujo resultado estava programado para vir a público nesta sexta-feira. A coleta de dados ocorreu entre o final de junho e o início de julho, abrangendo as preferências do eleitorado para o Palácio República dos Palmares e para a única vaga em disputa no Legislativo Federal.
A argumentação jurídica baseia-se prioritariamente na ausência de três concorrentes que já haviam formalizado suas intenções de participar do pleito para o Senado Federal. Os nomes de Alexandre Fleming, filiado à Unidade Popular, Ítalo Bonja, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, e Marcos Omena, representante do Avante, ficaram inteiramente de fora da sondagem apresentada aos entrevistados das cidades alagoanas. A defesa do emedebista salienta que o trio consta em avaliações de outros órgãos estatísticos registradas regularmente na corte, o que invalidaria o recorte restrito adotado na amostragem atual.
Na peça encaminhada aos magistrados eleitorais, os advogados sustentam que o ponto central do protesto reside na distorção do panorama apresentado aos cidadãos locais, uma vez que a lista exclui uma fatia das forças que compõem o quadro sucessório estadual. Para os defensores, omitir candidatos com registros ativos induz o eleitor a um cenário irreal de polarização, alterando artificialmente a percepção pública sobre a competitividade das siglas minoritárias que buscam espaço institucional.
Além da exclusão nominal, a petição aponta o que classifica como inconsistências metodológicas na formulation do plano de amostragem do instituto paranaense. O documento argumenta que a sistemática de detalhamento dos critérios socioeconômicos e geográficos adotada pela empresa dificulta a fiscalização externa e o controle de qualidade do material coletado nas ruas. A falta de discriminação detalhada dos bairros e faixas de renda tornaria o processo opaco para auditorias independentes dos partidos rivais.
A ofensiva de Renan Calheiros ocorre em um momento em que ele figura na disputa direta com outras cinco lideranças regionais listadas no questionário. Entre os nomes mantidos pelo instituto de pesquisa estão Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Davi Filho, Dr. Wanderley e Eudócia Caldas. A composição desse bloco central demonstra o grau de fragmentação das forças tradicionais no estado, o que torna o peso de cada ponto percentual divulgado altamente estratégico para as costuras políticas de bastidor.
Até o encerramento da tarde, a corte eleitoral não havia proferido uma decisão definitiva sobre o pedido de concessão de medida liminar para travar os dados. Este embate não vigora de forma isolada na região nordestina durante este ciclo de preparação partidária. Há menos de quarenta e oito horas, o mesmo tribunal atendeu a um requerimento da federação composta por PSDB e Cidadania, interrompendo a publicidade de dados coletados pela empresa RealTime Big Data sob alegações análogas de inconformidade.
Por outro lado, a direção do Paraná Pesquisas manifestou-se de forma contrária à ofensiva jurídica movida pelo escritório de advocacia do senador. Murilo Hidalgo, responsável direto pelo instituto, classificou a medida como mais um movimento coordenado com o objetivo de inviabilizar o trabalho das empresas de estatística que atuam no território de Alagoas. O executivo defende a lisura dos parâmetros aplicados e a autonomia técnica das entidades privadas para delimitar os cenários viáveis de apuração.
O impasse evidencia a forte vigilância mútua entre os grupos partidários e os aferidores de opinião pública neste período do calendário oficial. Candidatos e assessores monitoram constantemente os índices de rejeição e preferência, sabendo que as pesquisas operam como ferramentas indutoras de apoio político e atração de recursos de fundo partidário. O desfecho da representação deve estabelecer um precedente importante para as próximas sondagens autorizadas no estado.
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