
EMBATE NO SENADO – Renan Calheiros e Eudócia Caldas batem de frente na CAE por suposto rombo no Iprev de Maceió
Audiência com presidente do BRB vira palco de troca de acusações sobre aplicações de R$ 117 milhões no Banco Master e pedidos de bloqueio de bens
A reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal transformou-se em arena de um duro embate político e jurídico nesta terça-feira (9/6). O presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e a senadora Eudócia Caldas (PL-AL) protagonizaram uma intensa discussão motivada pelas suspeitas de irregularidades e prejuízos nos investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev).
O confronto ocorreu durante a audiência pública com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza. Ao contextualizar o cenário financeiro, Renan Calheiros trouxe à tona o caso das aplicações da previdência municipal em Letras Financeiras do Banco Master, cujo prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 117 milhões. O senador, que já formalizou uma ação popular e uma notícia-crime na Justiça pedindo o bloqueio de bens dos envolvidos, questionou diretamente a responsabilidade política pelas operações.
“Quem levou o Master para realizar negócios com a Prefeitura de Maceió e com o seu Fundo de Previdência? Quem ressarcirá os prejuízos dos aposentados?”, questionou Calheiros, subindo o tom logo em seguida. “Como senador da República, eu vou obrigar que os ladrões do dinheiro dos aposentados do Iprev de Maceió devolvam! Seja quem for o ladrão!”
A manifestação provocou reação imediata de Eudócia Caldas, mãe do ex-prefeito da capital alagoana, João Henrique Caldas, o JHC. Em sua intervenção, a parlamentar defendeu a gestão do filho e argumentou que a diretoria e o conselho do instituto previdenciário municipal possuíam total autonomia para deliberar sobre os ativos, alegando que os aportes seguiam os ritos de legalidade da época.
Eudócia Caldas também rechaçou qualquer ligação entre JHC e o empresário Daniel Vorcaro, apontado nas investigações, e buscou inverter o foco das acusações contra o próprio presidente da CAE.
“O ex-prefeito JHC deu autonomia ao presidente do Iprev e ao seu Conselho. E, na época, o que o presidente fez, como a maioria fez, era algo lícito, algo correto. Só depois foi deflagrado tudo isso”, rebateu a senadora. “O JHC não conhece o Daniel Vorcaro. Na lista do celular do Vorcaro, em nenhum momento tinha o nome do JHC e nunca terá. Agora, o senhor esteve três vezes com ele. Quando o senhor coloca o projeto de lei de vossa autoria para o FGC pagar o rombo do Master, você está protegendo o Vorcaro”, disparou Eudócia.
Renan Calheiros rebateu de pronto, declarando que a intenção do projeto de lei de sua autoria visa, fundamentalmente, resguardar o patrimônio dos segurados. O emedebista utilizou a palavra final para reforçar a representação jurídica que move contra o Município de Maceió, o ex-prefeito JHC, ex-dirigentes da autarquia, integrantes do Banco Master e da consultoria Crédito & Mercado.
“Se a senhora dispõe de alguma informação, dado sobre mim ou sobre qualquer senador, é o dever da senhora, como senadora da República e como cidadã, procurar as autoridades com uma notícia-crime. Faça o que eu fiz com relação ao escândalo do Iprev de Maceió: eu entrei na Justiça, apresentei uma notícia-crime e pedi o bloqueio dos bens dos prefeitos, do Vorcaro, do Augusto Lima e de todos os envolvidos”, respondeu o senador, encerrando o bloco sem prolongar a disputa na comissão.
O caso agora segue sob a análise do Poder Judiciário, onde a ação popular movida por Calheiros pleiteia a anulação integral das aplicações financeiras e a recomposição imediata dos recursos destinados à subsistência futura dos servidores inativos e pensionistas da capital alagoana.
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