
GOVERNO DE ALAGOAS – Alta hospitalar marca despedida emocionante de paciente após quase um ano internado no Hospital Dr. Ib Gatto Falcão
Ele recebeu alta médica e foi levado de volta para Branquinha, onde será acompanhado ambulatorialmente
Homem deu entrada na unidade por meio de encaminhamento judicial, seguindo todos os trâmites legais estabelecidos
Maju Silva / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão
Maju Silva / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão
A despedida de um paciente que permaneceu por quase um ano internado na
Ala de Saúde Mental do Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, em Rio Largo, foi marcada
por emoção, gratidão e vínculos que ultrapassaram o cuidado clínico.
Sem vínculo afetivo com a
família, ele encontrou dentro da unidade, algo que por muito tempo lhe
faltou: acolhimento, cuidado e pertencimento. Ao longo de sua permanência, foi
amparado não apenas por protocolos assistenciais, mas por uma equipe que, na
prática, o “adotou”. Profissionais se mobilizaram espontaneamente para garantir
seu bem-estar, doando roupas, itens de higiene pessoal e materiais básicos,
além de oferecerem escuta, atenção e afeto no dia a dia.
Esse cuidado ganhou ainda mais significado em fevereiro, quando a equipe
organizou uma comemoração especial para celebrar seu aniversário, um gesto
simples, mas carregado de simbolismo. O homem deu entrada na unidade por meio
de encaminhamento judicial, seguindo todos os trâmites legais
estabelecidos.
Durante o período de internação, o
caso foi acompanhado de forma integrada pelo Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, pela
rede de apoio do município de origem, pela Justiça e pelo Ministério Público de
Alagoas (MP/AL). Com isso foi garantido que cada etapa do cuidado fosse pautada
na legalidade, na proteção e na busca pela melhor alternativa terapêutica.
Após avaliação técnica e emissão de relatório psicológico juntado aos autos,
foi autorizada, de forma sub judice, a continuidade do tratamento em regime
ambulatorial, tendo como curador o município de Branquinha. A partir dessa
decisão, iniciou-se a construção de um plano de desospitalização responsável,
articulado entre as equipes e a rede intermunicipal de saúde.
Como resultado desse trabalho
conjunto, o paciente foi encaminhado para uma residência terapêutica, onde
seguirá com acompanhamento psicossocial contínuo, em um ambiente que favorece o
cuidado em liberdade, o fortalecimento da autonomia e a reinserção social. O
deslocamento foi realizado com o acompanhamento da assistente social do
município de Branquinha, Sandra Carla, assegurando a continuidade segura do
processo.
Durante todo o período de internação, o Serviço Social desempenhou papel
fundamental na análise das condições sociais e familiares, identificando
caminhos possíveis para além do ambiente hospitalar. A atuação integrada com a
equipe multiprofissional foi essencial para garantir que a alta não
representasse uma ruptura, mas sim a continuidade qualificada do cuidado.
“O momento da alta é sempre muito
significativo, especialmente em casos como esse, em que acompanhamos de perto
toda a trajetória do paciente. Mais do que garantir um encaminhamento,
nosso compromisso é assegurar que ele siga assistido, protegido e com
possibilidades reais de reconstruir sua vida. É um processo que envolve
responsabilidade, mas também muito afeto e esperança”, destacou a assistente
social Sheyla Barros.
Para o diretor médico da unidade,
Pedro Andrade, a história evidencia o verdadeiro papel da assistência em saúde
mental. “Esse caso nos ensina que cuidar vai muito além de tratar sintomas.
Quando uma equipe se envolve, acolhe e se compromete com o ser humano em sua
totalidade, nós conseguimos transformar realidades. Aqui, ele não foi apenas
assistido, ele foi respeitado, valorizado e, acima de tudo, acolhido como parte
da nossa própria família”, afirmou.
Equipe
Multidisciplinar
Ao longo dos meses, o paciente foi
acompanhado de forma contínua por uma equipe multiprofissional, que atuou com
foco no acolhimento, na escuta qualificada e na promoção da dignidade. O
cuidado foi construído a partir de relações de confiança, respeito e empatia,
pilares fundamentais na atenção em saúde mental.
Esse vínculo, fortalecido no cotidiano da assistência, ficou evidente no
momento da despedida. Abraços, lágrimas, palavras de incentivo e gestos de
carinho traduziram a intensidade da convivência construída. Para muitos
profissionais, ele deixou de ser apenas um paciente e passou a ser alguém
querido, parte da rotina e da história da unidade.
“Mais do que tratar, cuidar é
garantir direitos, reconstruir histórias e, sobretudo, oferecer a quem mais
precisa a oportunidade de recomeçar com dignidade”, destacou o diretor da
unidade, Graciliano Ramos.
FONTE: Governo de Alagoas


