
BRASIL – Expansão da soja no Brasil atinge tamanho do Paraguai e levanta questões ambientais e econômicas, aponta estudo do MapBiomas
Os dados impressionantes são fruto de um estudo realizado pela rede MapBiomas, divulgado recentemente. O levantamento apontou que, entre 1985 e 2008, ocorreu uma expansão de 18 milhões de hectares na plantação de soja. Dessa área, 30% foi resultado da conversão de áreas de vegetação nativa, totalizando 5,7 milhões de hectares, e 26% surgiu a partir da transformação de solo de pastagem em plantações de soja, totalizando 5 milhões de hectares.
No período seguinte, de 2009 a 2023, a expansão da soja continuou, adicionando mais 17 milhões de hectares à área cultivada. Destes, 36% eram provenientes da conversão de pastagens e 15% eram áreas anteriormente ocupadas por vegetação nativa.
O bioma que mais sofreu expansão da plantação de soja no ano passado foi o Cerrado, com um aumento de 19,3 milhões de hectares. Em seguida, vem a Mata Atlântica, com 10,3 milhões de hectares, e a Amazônia, com 5,9 milhões de hectares. Especialistas destacam que o Pampa é o bioma que mais teve sua área ocupada pela monocultura da soja, com 21% de seu território preenchido por plantações, totalizando 4 milhões de hectares.
Eliseu Weber, pesquisador do MapBiomas, ressalta que a preferência pela plantação de soja em detrimento da criação de gado se deve aos resultados mais rápidos que a cultura proporciona. Além disso, ele destaca o componente político, relacionado à falta de ações de conservação das áreas de vegetação nativa, que estão se perdendo cada vez mais no Brasil.
O relatório também aponta que as pastagens ocupam aproximadamente 164 milhões de hectares no país, representando 60% da área de agropecuária. Esse número é 79% maior do que em 1985, quando as pastagens cobriam 92 milhões de hectares. A Amazônia e o Cerrado foram os biomas mais escolhidos para a instalação de pastagens, representando 67% do total no país.
Os dados do MapBiomas revelam a expansão desenfreada da plantação de soja e das pastagens no Brasil, mostrando a urgência de políticas de conservação e uso sustentável do solo para garantir a preservação dos biomas e a biodiversidade do país.


