BRASIL – Risco fiscal é principal preocupação para estabilidade financeira nos próximos três anos, apontam instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central.

O Brasil enfrenta um cenário de preocupação com as contas públicas e a estabilidade financeira nos próximos três anos, de acordo com instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central. O risco fiscal, apontado por 42% dos entrevistados, é considerado o principal desafio no momento. Essa questão não variou em relação à pesquisa anterior, realizada em agosto, o que demonstra a gravidade da situação.

As instituições destacaram que as preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e o arcabouço fiscal têm impactos diretos nos preços de ativos e na política monetária. Além disso, os riscos internacionais também são motivo de apreensão, com 27% das instituições mencionando as eleições nos Estados Unidos, conflitos geopolíticos, desaceleração da economia chinesa e as políticas monetárias e econômicas americanas como fatores de instabilidade.

Em terceiro lugar, o risco de inadimplência e a atividade econômica interna foram citados por 12% dos entrevistados. Embora esse tipo de risco seja considerado limitado até o momento, as instituições manifestaram preocupação com a possibilidade de aumento da alavancagem e da inadimplência de famílias e empresas.

Por outro lado, houve uma percepção mais positiva em relação ao ciclo de crescimento econômico, com mais instituições considerando a atual fase como de “expansão” ou “boom”. O índice de confiança na estabilidade do Sistema Financeiro Nacional também apresentou um aumento, indicando que as instituições estão mais confiantes no sistema financeiro.

A pesquisa do Banco Central contou com a participação de 89 instituições financeiras, como bancos, cooperativas de crédito e gestoras de recursos. Realizada entre 21 de outubro e 8 de novembro, a pesquisa revela um panorama complexo e desafiador para a economia brasileira nos próximos anos.