
QUAL A VERDADE? – Quem matou os dois sargentos na ‘Operação Desastrosa’ em São José da Tapera?
PMs envolvidos na operação foram afastados até a conclusão das investigações, informou a SSP
Em uma operação policial que resultou em tragédia, os policiais militares de Alagoas 1º Sargento José Ailton de Oliveira e 2º Sargento Braulino Santos Santana foram mortos na última noite de domingo (10), durante uma ação para captura de suspeitos de tentativa de homicídio. De acordo com informações extraoficiais, os policiais estavam em trabalho de inteligência e operavam à paisana em uma área de mata quando foram, supostamente, confundidos e alvejados por colegas uniformizados, em uma situação de aparente erro operacional.
Segundo relatos não oficiais, equipes do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) e da inteligência policial realizavam a operação em uma chácara na zona rural de São José da Tapera, local indicado como esconderijo dos suspeitos de um crime ocorrido na noite anterior. Acredita-se que os criminosos tenham tentado fugir pela vegetação quando se depararam com os policiais. Nesse contexto, teria havido disparos que atingiram fatalmente os sargentos Oliveira e Braulino, posicionados em um ponto estratégico da mata. As informações ainda indicam que ambos pertenciam ao mesmo batalhão, e que os militares envolvidos se conheciam pessoalmente, sendo o 1º Sargento José Ailton de Oliveira, de 53 anos, lotado na corporação desde fevereiro de 1991, e o 2º Sargento Braulino Santos Santana, de 48 anos, ingressado em agosto de 2006.
Diante da situação, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) divulgou uma nota oficial esclarecendo que as circunstâncias das mortes dos policiais estão sendo investigadas rigorosamente pela Polícia Civil. Segundo a SSP, a possibilidade de um “fogo amigo” ainda é analisada e um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar detalhadamente os fatos que culminaram na morte dos militares. A secretaria também informou que os policiais militares que participaram da operação foram afastados de suas atividades até que as investigações sejam concluídas, visando assegurar uma apuração imparcial dos acontecimentos.
Além do inquérito e da investigação em curso, o secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Paulo Amorim, reforçaram que as famílias dos policiais receberão apoio psicológico e acompanhamento. Em nota, destacaram o compromisso com a transparência e informaram que a apuração terá prioridade, dada a gravidade do caso.
A repercussão do caso gerou dúvidas e críticas, sobretudo porque os militares envolvidos eram membros do mesmo batalhão, o 7º BPM, em Santana do Ipanema, o que gerou questionamentos sobre o planejamento e a execução da operação. Enquanto a versão oficial ainda está sendo finalizada, testemunhas e familiares aguardam respostas sobre como dois policiais experientes e em serviço de inteligência foram confundidos e alvejados pelos próprios colegas. O que poderá provar quem matou será possivelmente um exame de balística que vai analisar quais projéteis alvejaram os militares.
Outra versão
Muito ao contrário do que foi divulgado, os dois sargentos, que investigavam os responsáveis pelo arrombamento de uma casa lotérica em Olho D’Água das Flores, foram alvejados após, supostamente, terem sido confundidos com possíveis traficantes de droga. O autor dos disparos também é lotado no 7º BPM, no Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) e não na Companhia Independente de Operações Policiais Especiais do Sertão (COPES-Catinga). O policial está a cinco anos na corporação, igualmente sua esposa, que também integra o Pelopes.
O militar, autor dos disparos, está preso e teria entrado em depressão após constatar que havia alvejado os amigos e chegou a tentar suicídio. Policiais que estiveram no local das mortes revelaram que os sargentos mortos estavam dentro de um veículo descaracterizado e usando bala-clava e logo após o primeiro ser baleado, o outro saiu do veículo gritando que eram policiais, mas foi quando este também teria sido alvejado. (Informação do portal Emergência 190)
Sobre o caso, a assessoria da SSP informou: “alguns veículos de comunicação estão noticiando equivocadamente que o caso estaria relacionado a um suposto assalto a uma casa lotérica em Olho D’Água das Flores. Em nenhum momento a SSP mencionou essa informação. Desde o princípio, esclarecemos que a operação foi desencadeada após uma tentativa de homicídio registrada em São José da Tapera”.


