
CASO MARROQUIM: Terreno abandonado vira criadouro de mosquitos prejudicando moradores
E a construtora, que enganou centenas de famílias no Pará, está em outra polêmica, que desta vez, atinge a saúde da população. Moradores da rua dos Caripunas, entre as travessas Apinagés e Padre Eutíquio, em Belém, capital do estado paraense, reclamam de riscos diários que um terreno vem causando para as pessoas.
O espaço está com água parada há mais de 1 ano, como mostram as fotos feitas em março e abril do ano passado. O descaso tem se tornado cenário ideal para criadouros do mosquito transmissores de doenças.
A psicóloga, Fabiana Coelho, que mora em um edifício ao lado do terreno explicou que fizeram uma espécie de fundação na área citada, mas as obras não foram para frente, criando uma espécie de “piscinão” e que acumula muita água.
“Como eles tiveram tempo para fazer a fundação antes da empresa teoricamente falir, criou esse grande lago. Quando foi semana passada o meu filho mais velho começou apresentar muita dor de cabeça, muita febre, sem outros sintomas aí foi na urgência. Na terceira vez que voltamos o médico falou que teríamos que ser encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento pra fazer a triagem para Chikungunya ou para a Zika”, disse Fabiana.
Essa obra era administrada por uma empresa chamada “Marroquim Engenharia”, e que até o presente momento não efetuou a unificação e incorporação dos terrenos ligados ao empreendimento, que foi objeto de liminar judicial.
Os responsáveis pelo terreno, em nota, explicaram, que estão buscando as devidas regularizações para que a empresa cumpra com os serviços e as legalizações, já que os repasses financeiros estão em dia.
“Estamos correndo muito para devidas regularizações, onde vale salientar que, nós sócios do empreendimento, pagamos cerca de 3,5 milhões de reais para a mesma “Marroquim Engenharia” e a mesma não efetuou os serviços e legalizações como deveriam. Estamos passando por vários problemas que nos impedem de prosseguir com o andamento da obra. Infelizmente estamos brigando até contra a natureza, pois estamos em pleno inverno amazônico onde as chuvas estão até acima da média esperada. Mas tenha certeza que já estamos tomando todas as providências junto aos órgãos competentes para resolução”, informaram.
HISTÓRICO
Marroquim Engenharia é condenada a pagar R$ 500 mil no Pará
Empresa entregou apartamentos em condições precárias a moradores
A construtora Marroquim Engenharia Ltda foi condenada mais uma vez por golpe nas pessoas que adquiriram apartamentos no Belém do Pará. A empresa também possui empreendimentos em Maceió e Arapiraca, no estado de Alagoas. O valor da condenação, que se refere às transações comerciais do edifício Piazza San Pietro, na capital paraense, é de R$ 505 mil. A decisão da juíza Elinay Almeida Ferreira de Melo foi proferida no dia 30 de janeiro.
Localizado no bairro Umarizal, o prédio foi um dos primeiros feitos pela Marroquim Engenharia em Belém. Foi “entregue” entre 2014 e 2015, quando começaram os problemas como infiltrações em apartamentos, defeitos em garagens, dívidas deixadas pela empresa para os condôminos, entre outros impasses.
O terreno para construção do Edifício Piazza San Pietro foi adquirido em 2010 por investidores que permutaram por quatro apartamentos e, posteriormente, tiveram que arcar com o acréscimo de 18,4 metros quadrados da área do apartamento devido a uma suposta mudança no tamanho do projeto.
O curioso é que esse valor foi cobrado em favor da Marroquim e não em favor do condomínio, prática quase sempre adotada pela empresa como uma das diversas formas de tirar dinheiro dos moradores, prejudicando os investidores que tiveram que arcar com o custo da obra.
A Marroquim Engenharia, de propriedade de Mário Marroquim, e a Marroquim Júnior Construções, do sócio Fernando Mário Marroquim Junior, usariam desta artimanha para enganar o grupo de pagadores da obra que formavam o suposto condomínio fechado, que na verdade nunca existiu, uma vez que a Marroquim Engenharia figurava como construtora administradora, proprietária e incorporadora.
Era permutante, mandatária, entre outros, mas que na verdade, era dona do empreendimento, pois os contratos de permuta dos terrenos eram fechados com a construtora, que detinha todos os poderes sobre as marcações. O Edifício Piazza San Pietro foi entregue com vários problemas, como já citado, e sem a documentação legalizada, fato que persiste até o momento.


