
TRADIÇÃO DE FAMÍLIA – JHC usou e abusou de Kelmann Vieira e, nos últimos instantes, o traiu como se ele não fosse ninguém; Ronaldo Lessa poderá ser o próximo da fila
A política, como dizem os antigos, é feita de conveniências. E o vereador Kelmann Vieira parece ter descoberto, da forma mais amarga, que a exposição nas redes sociais nem sempre significa espaço garantido na hora de dividir o bolo eleitoral.
Durante meses, Kelmann assumiu uma posição de destaque no projeto político liderado pelo ex-prefeito de Maceió, JHC. Nas redes sociais, aparecia como uma das vozes mais fiéis do grupo, defendendo decisões, repercutindo agendas e ajudando a construir discursos que interessavam ao núcleo tucano.
Mas, quando chegou o momento de definir a chapa para deputado federal, a fotografia mudou. O mesmo grupo que havia dado visibilidade ao vereador decidiu não incluí-lo entre os nomes homologados pela Federação PSDB-Cidadania para a disputa à Câmara dos Deputados.
A reação de Kelmann veio pelas redes sociais, justamente o ambiente onde ele ganhou projeção política nos últimos meses. O vereador demonstrou surpresa e revolta com a decisão.
“Recebo agora que a chapa de federal cortou meu nome!! Por quê?? Porque critiquei o coronel?? Será que a patente dele é maior que a minha? Depois da queda o coice!”, escreveu.
O desabafo expôs uma relação política que, até então, parecia confortável. Kelmann havia deixado o MDB e ingressado no PSDB, uma mudança que foi interpretada como um movimento de aproximação com o grupo de JHC. A decisão teve custo político: o antigo partido chegou a questionar judicialmente a permanência do mandato, embora o TRE de Alagoas tenha extinguido a ação sem analisar o mérito.

A troca de legenda foi vendida como um gesto de confiança no novo projeto. O vereador apostou que a proximidade com o grupo tucano abriria espaço para uma candidatura competitiva à Câmara Federal. O problema é que, na política, fidelidade raramente funciona como contrato escrito.
A situação lembra o velho jogo político em que aliados ganham microfone enquanto são úteis para uma estratégia, mas podem perder espaço quando chega a fase de composição definitiva. Kelmann, que durante meses ajudou a sustentar a narrativa do grupo, terminou descobrindo que a política também tem seus “descartáveis”.
E a pergunta que começa a circular nos bastidores é se o mesmo roteiro pode se repetir com outros aliados. O vice-governador Ronaldo Lessa, que confirmou apoio a JHC e afirmou que estará na chapa como candidato a vice-governador, agora ocupa posição de destaque no projeto. Mas ainda não foi confirmado oficialmente pelo PSDB. Será o próximo?
Enquanto isso, Kelmann usa as redes sociais para pedir explicação se comparando com outros candidatos. A bola da vez foi Lucas Barbosa, filho do prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa. “Perguntar não ofende, mas por que o filho de Luciano Barbosa, que vota e apoia Renan, foi aprovado na convenção, enquanto eu, que sou do PSDB, voto no JHC, deixei o MDB e coloquei meu mandato em jogo, fui simplesmente cortado?!Quem está por trás dessa decisão?!Acho que mereço uma resposta. Mereço uma explicação. Isso é o mínimo que alguém que dizia ser meu aliado poderia fazer. O silêncio, nesse momento, diz muito!!!”
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