
GOVERNO DE ALAGOAS – Sargento da PM-AL conclui Curso Operacional Raio em Sergipe
Kadjyla Viana agora está habilitada a propagar, defender e ministrar instruções em todas as modalidades abordadas pelo Batalhão de Rotam
O uniforme cáqui da sargento Kadjyla contrastava com os trajes escuros dos outros formandos perfilados
Ascom PMSE
Fernanda Alves / Ascom PM-AL
“Proteja-nos, Senhor, pois
confiamos em Ti. Seja nosso colete, nossa arma, nosso guia para sempre.
Radiopatrulha. Amém”, diz o trecho final da Oração do Radiopatrulheiro. No meio
militar, cada área de especialidade possui seu rito particular, expresso em forma
de brado. Os radiopatrulheiros seguem essa tradição com toda a vibração que
lhes é peculiar.
E foi assim que juntos e
ostentando o raio vermelho no braço, que os 26 concluintes do II Curso
Operacional Raio (COR), promovido pela Polícia Militar do Estado de Sergipe
(PMSE), entoaram a prece.
O momento aconteceu durante a cerimônia de
formatura, após receberem os brevês das mãos de seus respectivos padrinhos e
madrinhas. O encerramento do II COR da PMSE ocorreu na sede do Batalhão de
Polícia de Radiopatrulha (BPRp), no bairro 13 de Julho, em Aracaju, na
segunda-feira (22).

Entre as únicas três policiais femininas no
dispositivo de concludentes, uma se destacava por vestir uma farda de cor
diferente da dos demais integrantes. O uniforme cáqui contrastava com os trajes
escuros dos outros formandos perfilados. Era a 2ª sargento Kadjyla Viana, da
Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), a única que não pertencia às fileiras da
PMSE.
O COR é promovido pelo Batalhão
de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) da coirmã sergipana com o objetivo de
especializar policiais na doutrina e procedimentos de radiopatrulhamento
tático, com alto nível técnico e exigência física. A militar é uma das três
mulheres da turma, que iniciou o curso com 38 inscritos. Ao longo da jornada, a
aluna foi um elemento diferenciado no turno. Não apenas por ser de faixa etária
acima da média ou pela antiguidade na hierarquia, já que a boa parte era de
soldados recém-incorporados à PMSE, mas por ser inspiração aos demais.

As atividades do curso em si se encerraram
no sábado (20), à meia-noite. Ao perceber que a jornada de longos dias, noites
e madrugadas tinha sido completada, não conteve as lágrimas. Segundo ela, foi
momento de olhar para trás e perceber que a etapa foi vencida com sucesso.
Ao rever todo o processo, a
sargento Kadjyla resumiu: “É difícil estar longe de casa. Tem a questão da
saudade e outros desafios para além do curso, mas quando você tem um sonho, a
vocação, e quer representar o seu estado e sua polícia, o fato de saber que vai
carregar uma glória eterna, a responsabilidade de ser exemplo servem de
motivação até diante da dor. Quem sai de seu estado para buscar conhecimento,
como eu vim buscar, tem que enfrentar qualquer dificuldade”.

O subcomandante do Batalhão de
Polícia de Rotam de Alagoas, capitão Sebastião Grangeiro, enalteceu o empenho
da combatente. Ele representou a unidade especializada na solenidade de
formatura e marcou presença junto com outros militares, a exemplo do capitão
Kelmany Assis e do tenente Iago Omena, subcomandante da Companhia de Polícia
Militar Independente de Ronda de Ação Intensiva Ostensiva (Raio/CPM-I).
Raio como propósito
Além de um grande desafio, o
curso também foi uma volta às origens. A combatente é natural de Aracaju, mas
deixou sua terra e fincou raízes em terras alagoanas ao ser aprovada e
convocada para servir na PM-AL, no ano de 2010.
Após o Curso de Formação de
Praças (CFP), serviu no 3º Batalhão, sediado em Arapiraca, ao longo de quatro
anos. Nos anos seguintes, atuou com Operações de Inteligência junto à
Secretaria de Segurança Pública (SSP) e realizou uma série de cursos na área,
também serviu à Força Nacional e atualmente integra a equipe do Gabinete do
Comando Geral.
O universo militar e, mais do
que isso, a especialização operacional era um anseio antigo, anterior ao seu
ingresso na corporação. Sempre sentiu que ser PM era sua vocação, porém, ao ver
o filme Tropa de Elite (2007), a jovem ficou fascinada com a rotina operacional
e nasceu um objetivo: “Um dia farei um curso operacional”.
Chegou a tentar o COR junto ao
Batalhão de Rotam em Alagoas em anos anteriores, mas precisou interromper a
jornada por motivos de saúde. Foi diagnosticada com rabdomiólise. A síndrome
grave é caracterizada pela ruptura do tecido muscular esquelético, destruindo
as fibras musculares. A interrupção, porém, não significou o fim do sonho.
O raio que ela foi buscar em
Sergipe já é o segundo que ela conquista. No jargão peculiar dos raiados, ela
acaba de se tornar uma “bi-raiada”. O primeiro, foi alcançado em setembro de
2025, quando foi uma das 35 concluintes e a única policial feminina da segunda
turma do Curso de Força Tática (CFT) da PM-AL, que iniciou com 53 integrantes.

Assim que concluiu o CFT, tomou
conhecimento do edital para o curso na coirmã. Ela conta que o apoio que
recebeu da PM, dos pares e superiores foi fundamental. Vencido mais um desafio,
ela garante: a meta é seguir buscando aperfeiçoamento contínuo.
Força, energia e rapidez: o raio
como símbolo
“O próprio desafio de buscar um
curso dessa natureza é de grande complexidade. Todos os cursos que abordam essa
matéria de patrulhamento tático especializado são cursos muito complexos, de
uma voga muito alta e que demanda do aluno um altíssimo nível não somente
técnico, mas de resiliência física e mental. Então, buscar o segundo raio, como
ela fez, é buscar mais uma modalidade de patrulhamento tático especializado”,
destacou o capitão Grangeiro, que esteve ao lado da sargento Kadjyla e do
capitão Assis no curso de Força Tática da PM-AL em 2025.

“O raio vermelho trisseccionado
representa força, energia e rapidez. Por isso, simboliza os cursos de
patrulhamento tático especializado”, explicou o capitão Grangeiro. “A sargento
Kadjyla agora está habilitada a propagar, defender e ministrar instruções em
todas as modalidades abordadas pelo Batalhão de Rotam [Ronda Ostensiva Tática Motorizada]”, finalizou o
subcomandante da unidade especializada, enfatizando que a militar também se tornou
uma agente multiplicadora.
II COR PMSE
Com duração de 49 dias e carga
horária de 488 horas horas-aula, o curso foi desenvolvido prioritariamente nas
instalações da Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol), em Aracaju, e
submeteu os participantes a intensas atividades físicas, técnicas e psicológicas,
voltadas ao aperfeiçoamento do patrulhamento tático especializado.
Um dos diferenciais desta edição
foi a realização de uma etapa de instrução fora do território sergipano. Entre
os dias 30 de maio e 12 de junho, os alunos participaram de uma visita técnica
à sede da Força Nacional de Segurança Pública, em Brasília (DF), onde tiveram
acesso a novas doutrinas operacionais, intercâmbio de conhecimentos e
treinamento especializado.
FONTE: Governo de Alagoas




