
GOVERNO DE ALAGOAS – Mais de 1 milhão de alagoanos deixam a insegurança alimentar grave, aponta ministério
Desempenho é resultado de políticas públicas voltadas à assistência social realizadas pelo Governo de Alagoas ao longo dos últimos 10 anos
Governador Paulo Dantas durante inauguração de mais um restaurante popular; dados sobre segurança alimentar foram obtidos, com exclusividade, pela reportagem junto ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
Pei Fon e Agência Alagoas
Carlos Nealdo e Ana Beatriz Rodrigues / Agência Alagoas
Só quem sentiu fome e não teve o que comer compreende o
alívio que significa para uma família superar a linha da pobreza. Em Alagoas,
mais de 1 milhão de pessoas deixaram para trás a privação severa de alimentos
nos últimos anos, graças à estruturação de uma rede de políticas públicas de
combate à vulnerabilidade social criadas pelo governo estadual.

Uma dessas histórias é a de Auzenir Maria, que encontrou no
Restaurante Popular do Jacintinho, em Maceió, a garantia de sua principal
refeição diária com qualidade e dignidade.
“O Restaurante Popular para mim está sendo muito viável,
pois o alimento custa apenas dois reais. Eu me alimento muito bem e tem frutas
todos os dias. As opções de proteína também são variadas. Antes de descobrir o
programa, eu não sabia da existência dele e não me alimentava bem. Eu me sentia
muito fraca, mas, quando comecei a comer aqui, passei a ter uma boa saúde. Por
isso estou aqui todos os dias, inclusive garantindo a refeição para o jantar,
já que as opções de escolha são ótimas”, enfatizou Auzenir.

A iniciativa faz parte das ações integradas que vêm
transformando a realidade social do estado. “Quem ainda não conhece o programa
Alagoas Sem Fome, do governador Paulo Dantas, pode vir. Quem ainda não
experimentou esse alimento, venha, porque é muito bom”, convida a beneficiária.
Impulsionado por esse ecossistema de proteção social,
Alagoas registrou a saída exata de 1.078.000 pessoas da condição de insegurança
alimentar grave. Os dados foram obtidos com exclusividade pela reportagem junto
à Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do Ministério
do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

O indicador, que compreende o período de 2022 a 2024,
representa 34,4% da população do Estado – atualmente estimada em 3,12 milhões
de habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Trata-se da maior redução proporcional entre os nove
estados nordestinos.
“Políticas
públicas não sofreram descontinuidade desde 2015”, ressalta governador
Para dimensionar o impacto desse resultado, em unidades da
federação como o Rio Grande do Norte, que conta com uma população semelhante à
de Alagoas (3,3 milhões de habitantes), apenas 7,4% dos moradores deixaram a
condição de privação severa de alimentos no mesmo intervalo de tempo.
“Em 2022, nós prometemos mudar para melhor a realidade de
Alagoas e cumprimos a promessa. Esse resultado é uma vitória histórica,
proporcionada por políticas públicas que não sofreram descontinuidade
administrativa, desde 2015. Vivenciamos o sucesso que está na continuidade e no
avanço. Dissemos amplamente em 2022, que iríamos manter o que estava dando
certo, como o equilíbrio fiscal, as obras estruturantes, os investimentos em
programas sociais e avançar ainda mais”, disse o governador Paulo Dantas.
O ministério ressalta que os indicadores se referem a
moradores de domicílios identificados em insegurança alimentar grave a partir
da aplicação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), principal
ferramenta utilizada no país para medir diretamente o nível de acesso das
famílias aos alimentos.
Os três níveis da insegurança alimentar

Insegurança alimentar leve: preocupação ou incerteza quanto
ao acesso aos alimentos no futuro, além da redução da qualidade dos produtos
para não afetar a quantidade;
Insegurança alimentar moderada: falta de qualidade e
redução quantitativa de alimentos entre os adultos da residência;
Insegurança alimentar grave: falta de qualidade e redução
na quantidade de alimentos também entre menores de 18 anos. Nessa situação, a
fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio.

Redução
real da fome
O MDS destaca que, em vez de apenas calcular a produção de
comida ou a renda nominal das pessoas, a EBIA foca na percepção e na
experiência real da fome e da restrição alimentar dentro do lar. Para isso,
utiliza como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) do IBGE.
De acordo com a EBIA, aplicada na Pnad Contínua do 4º
trimestre de 2024 – os dados mais recentes divulgados pelo instituto –, 56 mil
domicílios em Alagoas seguem em insegurança alimentar grave. Nesses lares
residiam, no ano de referência do levantamento, cerca de 157 mil alagoanos, o
que representa 5% da população total do estado.

Políticas
estruturantes
Segundo o governo do Estado, a queda acentuada nos índices
se deve à expansão e ao amadurecimento de políticas estruturantes de
transferência de renda, aliadas a novas frentes de combate à vulnerabilidade
social, como os programas Alagoas Sem Fome e os cartões Escola 10 e Cria, além
de outros.

Devido a essa rede de proteção, estruturada ainda no
governo de Renan Filho (2015-2022), o estado conquistou o primeiro lugar
nacional na edição de estreia do Prêmio Brasil Sem Fome, do MDS, sendo
reconhecido como a unidade federativa que mais reduziu a insegurança alimentar
grave no país entre 2022 e 2024.
“Esse resultado histórico é fruto de um trabalho contínuo,
que une o legado de programas vitoriosos da gestão anterior à consolidação
atual com o Alagoas Sem Fome, padarias artesanais e ações de várias frentes”,
completou a secretária de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Kátia
Born.
No interior do estado, o impacto dessas ações ganha o rosto
de trabalhadoras como Raniele Mendes, moradora do Sítio Boa Vista, na zona
rural de Batalha. Beneficiada pelo programa Padarias Artesanais, ela conta que
a capacitação transformou a rotina de sua casa.

“Conheci o programa através das redes sociais e participei
de uma turma no início do ano. Lá aprendemos a produzir vários alimentos, como
pães, salgados e bolachas. Sem dúvida nenhuma é uma ajuda. Produzo para consumo
próprio da minha família e também faço para vender. Complemento a renda e tem me ajudado bastante”, explica
Raniele.
A moradora reforça que iniciativas desse formato fazem a
diferença ao abrir horizontes e fornecer conhecimentos práticos de nutrição e
subsistência.
“Tenho dois filhos e o pão vem auxiliando na alimentação
deles, assim como os salgados. Muita gente não sabia que era tão simples e
fácil. Hoje, muitas pessoas que fizeram o curso colocaram em prática o que
aprenderam e vivem uma nova realidade no cardápio do dia a dia da família”,
finaliza Raniele.
Alagoas
Sem Fome
Instituído pela Lei Estadual Nº 9.128, de 26 de dezembro de
2023, o programa se consolidou como uma política pública permanente,
arrecadando até agora 115 toneladas de alimentos, das quais 92,4 toneladas já
foram distribuídas a instituições que abrigam pessoas em situação de
vulnerabilidade.
Além disso, o governo lançou em março deste ano o 1º Plano
Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Alagoas (Plansan-AL). A
iniciativa representa um marco no enfrentamento da fome e na promoção do acesso
regular a alimentos saudáveis e de qualidade. O plano prevê ações estruturantes
e entregas estratégicas que ampliam, qualificam e dão perenidade às iniciativas
que já vinham sendo consolidadas na área.

Emprego
e renda como motor
O recuo expressivo da fome em Alagoas está diretamente
ligado a um ciclo econômico virtuoso gerado pela integração de políticas
públicas. Mais do que ações assistenciais isoladas, o alinhamento entre a
geração de empregos formais, a qualificação profissional, o incentivo direto à
produção no campo e a distribuição estruturada de alimentos funcionou como uma
engrenagem que movimentou a economia local. Ao colocar renda na mão das
famílias e capacitar o trabalhador, o Estado estimulou o comércio e as cadeias
produtivas regionais, transformando o dinamismo de mercado na base sustentável
para a saída de mais de um milhão de alagoanos da vulnerabilidade alimentar.
No mercado de trabalho, o estado registrou a criação de 60
mil novos postos com carteira assinada entre 2022 e 2024, segundo dados do Novo
Caged do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado reflete a
diferença entre as 590,2 mil admissões e os 530,2 mil desligamentos do período.
Nesse intervalo, a geração de empregos foi impulsionada
pelo setor de serviços, responsável por 33,7 mil novas vagas formais (56,2% do
total). Somente no segmento do turismo foram abertas 6,6 mil vagas formais, um
crescimento de 24,2% em comparação aos três anos anteriores.
Esse avanço é impulsionado por programas como o Escola do
Turismo, criado pelo Governo do Estado em 2023 para capacitação gratuita.
Atualmente, a iniciativa está presente em 45 municípios das sete regiões
turísticas locais.

“Em três anos, o programa abordou 108 temáticas, ofertou
cursos de curta e média duração e qualificou mais de 11 mil alagoanos. A
iniciativa inclui ainda o Banco de Talentos, que conecta os alunos às vagas
disponíveis no setor”, destacou o secretário de Estado do Turismo, Paulo
Kugelmas.
Oportunidades
no campo
Os incentivos estaduais também alcançam a área rural, que
recebeu aportes financeiros superiores a R$ 90 milhões em 2025, segundo
levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). No período, mais
de 64 mil famílias camponesas foram beneficiadas com ações que movimentam as
cadeias produtivas e estimulam o comércio no interior.
“Só com o Planta Alagoas, 600 toneladas de sementes de
milho e feijão foram entregues no tempo certo de plantio. O programa tem um
impacto de produção de grãos estimado em 68,6 mil toneladas, e uma área de 20
mil hectares de plantio”, divulgou o secretário de Estado de Agricultura e Pescuária,
Marcelo Melo.
Para o governador Paulo Dantas, o grande desafio é fazer
com que Alagoas siga em transformação.
“Garantimos que nada iria parar, e nada parou. Seguiremos
com inovação, modernização e entregas que melhorem a vida das pessoas”,
concluiu.
Proporção
da população que deixou a insegurança alimentar grave (2022-2024)
Posição Estado Percentual
1º – Alagoas – 34,4%
2º – Piauí – 31,0%
3º – Sergipe – 28,0%
4º – Maranhão – 25,1%
5º – Ceará – 23,1%
6º – Pernambuco –
19,2%
7º – Rio Grande do Norte
-7,4%
8º – Paraíba – 7,1%
9º – Bahia – 7,0%
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social,
Família e Combate à Fome (MDS)
FONTE: Governo de Alagoas




