GOVERNO DE ALAGOAS – Palestra promove acolhimento e escuta para mães atípicas de Alagoas

Centro de Educação Especial de Alagoas Professora Wandete Gomes de Castro trouxe para debate a exaustão e o emocional de muitas mães

Evento contou com a parceria da Secdef

Kaique Pacheco / Ascom Seduc

Nalu Ambrózio / Ascom Seduc

Um espaço para falar da exaustão, do medo, da culpa, das renúncias
silenciosas e da rotina atravessada por batalhas que quase nunca terminam
quando o dia acaba. Foi com esse olhar que o Centro de Educação Especial de
Alagoas Professora Wandete Gomes de Castro, no Poço, promoveu, nesta semana, a
palestra “Cuidar de Quem Cuida”, voltada às mães cuidadoras de crianças,
adolescentes, adultos e idosos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e
deficiência intelectual.

 

A ação reuniu profissionais da educação, especialistas e representantes
da Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef) em um
momento de acolhimento dedicado às mulheres que sustentam, diariamente, a
rotina de cuidado de seus filhos enquanto, muitas vezes, deixam a si mesmas em
segundo plano.

 

Em Alagoas, dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) divulgados em maio de 2025 indicam que mais de 33 mil
pessoas possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Isso
representa aproximadamente 1,1% da população do estado.

 

A iniciativa também dialoga com a Lei Estadual nº 9.413/2024, que
institui a Política Pública de Apoio, Acolhimento e Capacitação aos pais ou
responsáveis legais de pessoas autistas em Alagoas, garantindo suporte
emocional, acesso à informação e ferramentas para enfrentar os desafios do
cuidado diário.

 

Apoio

 

Segundo a diretora do Centro de Educação Especial, Arly Rijo, o encontro
surgiu da própria realidade vivida pelas famílias atendidas pela instituição.
Atualmente, cerca de 170 mães frequentam o espaço diariamente acompanhando os
filhos em atendimentos especializados.

 

“Elas chegam aqui carregando lutas financeiras, emocionais. O centro
acaba se tornando também um lugar de refúgio, onde essas mães conseguem
conversar, desabafar e encontrar acolhimento”, afirmou.

 

A diretora destacou que o cuidado com os estudantes também exige atenção
às famílias, especialmente às mães. “São mulheres que cuidam o tempo inteiro e
quase nunca são cuidadas. Esse momento foi pensado justamente para oferecer
escuta, respeito e dignidade”, disse.

 

A secretária de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência,
Francine Bonfim, destacou a importância de ampliar o olhar para quem está por
trás da rotina de cuidados das pessoas com deficiência.

 

“A gente fala muito sobre cuidar da pessoa com deficiência, mas pouco se
fala sobre quem sustenta esse cuidado todos os dias. Essas mães vivem jornadas
duplas, triplas, às vezes incontáveis. Elas também precisam se permitir ser
cuidadas, porque ninguém consegue permanecer inteiro sem acolhimento”, pontuou.

 

Palestras

 

Durante a palestra, a coordenadora de promoção e fortalecimento de
políticas temáticas para pessoas com TEA da Secdef, Vanessa Menezes, abordou os
impactos emocionais enfrentados pelas mães atípicas, desde o diagnóstico dos
filhos até os desafios permanentes do cotidiano.

 

“Quando chega um diagnóstico, muitas mulheres acabam se apagando dentro
da própria vida. Elas deixam sonhos, projetos e até a própria identidade em
suspensão para dar conta da rotina de cuidados. E, sem apoio emocional e
acompanhamento adequado, esse esgotamento pode adoecer essas mães”, explicou.

 

A palestra principal foi conduzida pela professora de educação física
Kátia Spencer, autora da dissertação de mestrado “A sobrecarga de mães
cuidadoras de pessoas com autismo na pandemia Covid-19 em Maceió-AL: um relato
de experiência”, desenvolvida na Universidade Tiradentes (Unit).

 

Durante a fala, a pesquisadora destacou que um dos maiores sofrimentos
relatados pelas mães é o descrédito diante das próprias dores.

 

“O mais comum é o descaso com as falas dessas mulheres e com as lutas
que elas enfrentam diariamente. Elas precisam ser ouvidas e acolhidas. Não é
possível falar de inclusão sem olhar para quem carrega esse cuidado dentro de
casa todos os dias”, afirmou.


FONTE: Governo de Alagoas

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