GOVERNO DE ALAGOAS – Daqui pro Mundo: um mergulho na rotina dos intercambistas alagoanos que desbravaram Brighton no ano passado

Próxima edição já tem data marcada para acontecer: será em junho deste ano

Estudantes da 2ª edição do programa Daqui pro Mundo relatam as experiências em Brighton

Cortesia

Kaique Pacheco/ Ascom Seduc

Às vésperas de sua terceira edição,
o Programa Daqui pra o Mundo vai levar 150 estudantes da rede estadual para um
intercâmbio na Inglaterra, com tudo custeado pelo Governo de Alagoas.  

 

Enquanto os novos selecionados
organizam malas e documentos em uma contagem regressiva, revisitamos nesta reportagem
especial a experiência de Massimo, Samuel, Graziele e Adelmo, que, em 2025,
participaram do intercâmbio na cidade de Brighton, um dos destinos mais
procurados pelos ingleses no verão em virtude de suas praias e efervescência
cultural.

 

Para os 20 jovens alagoanos que
ficaram na cidade, a escola Bayswater College (antiga Eurocentres) foi motivo
de inspiração. 

 

Os relatos desses alunos inspiram e
cativam os próximos viajantes, que futuramente irão relatar sua história
patrocinada pelos seus esforços e pelo Governo de Alagoas, através do maior
programa de intercâmbio da história da rede estadual. 

 

Cuscuz e o sonho de ensinar

 

Massimo Paulo, de 17 anos, partiu
de Santana do Ipanema carregando um otimismo contagiante e um objetivo claro.
Aluno da Escola Estadual Professora Laura Maria Chagas de Assis, ele sempre viu
na língua inglesa uma porta para o mundo, mas descobriu em Brighton que a educação
é a ferramenta capaz de transformar realidades por meio de pequenas atitudes.

 

A rotina de Massimo era marcada
pelo contraste. Acordar sob o frio das manhãs do verão britânico era o primeiro
sinal de que a vida havia mudado. Ele viveu a experiência completa de morar com
duas ‘host families’ distintas. Uma delas, de Camarões, trouxe um acolhimento
espiritual e motivacional que o marcou profundamente. “Conversávamos muito
durante o jantar sobre o Brasil, nossos costumes e famílias. Levei até pacotes
de fubá para cozinhar cuscuz para eles. Foi um pedaço do Nordeste em solo
britânico”, relembra o estudante.

 

Na Bayswater, Massimo sentiu sua
fluência crescer por meio de debates e jogos. Para ele, o ponto alto foi a
visita às Seven Sisters, os icônicos penhascos de giz que serviram de cenário
para os filmes de Harry Potter, saga da qual é fã. “A imersão revelou as
oportunidades que o mundo oferece. Hoje, estou decidido a ser professor de
inglês e buscar a fluência total”, afirma o jovem, que transformou a
ousadia de viajar em um plano de carreira.

 

Choque cultural

Natural de Arapiraca, Samuel José,
17 anos, é o retrato da curiosidade intelectual. Aluno da Escola Estadual
Professor José Quintela Cavalcanti, de Arapiraca, ele divide sua paixão entre a
geografia, a fotografia e a análise de temas mundiais. Em Brighton, sua lente
capturou muito mais do que paisagens.

 

Sua ‘host family’, um casal de
idosos amáveis, proporcionou um dos momentos mais “surreais” da viagem: o
cuidado com raposas que visitavam o quintal da casa. “Eles eram muito
receptivos, contavam histórias de suas viagens de juventude e do orgulho que
tinham dos netos no futebol”, conta Samuel. Na escola, as aulas ao ar
livre e as oficinas de desenho ajudaram a quebrar a barreira da timidez.

 

Para os intercambistas de 2026,
Samuel aconselha não se deixar levar pela insegurança e aproveitar a
experiência ao máximo. “A gente sempre se questiona se vai valer a pena,
se vamos nos adaptar. Mas o medo vai embora e sobra só a saudade. Eu não sou
mais a mesma pessoa. Hoje entendo que viver o momento é o que realmente
importa”, reflete o estudante.

 

Independência e a calmaria de
Rottingdean

 

Graziele dos Santos, de 17 anos,
veio de Água Branca representando a Escola Estadual Monsenhor Sebastião Alves
Bezerra. Criativa e amante da natureza, ela viu no intercâmbio a oportunidade
de decidir seus rumos após o Ensino Médio. O que mais a surpreendeu não foi a
grandiosidade de Londres, mas a pontualidade britânica e a eficiência dos
ônibus de dois andares, de onde apreciava a vista da cidade.

 

Graziele encontrou seu lugar
favorito na vila de Rottingdean. “Não é extravagante, mas me cativou pelo
silêncio, pelo moinho de vento e pelas cafeterias históricas. Foi lá que parei
e pensei: ‘Nossa, eu realmente estou na Inglaterra'”, conta. Ela também se
adaptou rapidamente à autonomia europeia, como o sistema de self-checkout nos mercados,
onde o próprio cliente passa suas compras.

 

A maior mudança, porém, foi
interna. “Eu tinha medo de ir a qualquer lugar sozinha. Passar um mês
longe da família me deu uma segurança que eu não conhecia”, explica. Para
os próximos viajantes, ela deixa um aviso prático: “Aproveitem cada
segundo, não pensem em descansar. O foco é a imersão. E lembrancinhas? Só no
final da viagem!”. Ensina.

 

A conquista dos oito quilômetros

 

Adelmo Candido, de 18 anos, aluno
da Escola Estadual Muniz Falcão, em Cacimbinhas, é fascinado por sistemas e
estruturas. Seja na matemática ou na gramática, ele busca entender como as
peças se encaixam. Em Brighton, sua rotina era cronometrada. Acordava às 6h30,
tomava o café preparado por suas ‘hosts’ (brasileiras radicadas na Inglaterra)
e corria para o ônibus.

 

Sobre a estadia, ele comenta: “A
recepção não poderia ter sido melhor. Minhas anfitriãs falavam apenas inglês
conosco para garantir a imersão, mas o café da manhã com toque brasileiro me
fazia sentir em casa”, relata Adelmo. Na escola, ele se destacou nos
testes semanais de proficiência, subindo de nível rapidamente. Para ele, a
regra de “proibido falar português” foi o que realmente destravou seu
idioma.

 

A missão de formar cidadãos globais

 

Acompanhando de perto cada passo
dessa jornada, a monitora Mariana Loureiro, mestre e doutoranda em Estudos
Literários, destaca o papel social do programa. Professora da rede estadual
desde 2022, ela testemunhou a quebra de paradigmas dentro da sala de aula.
“Muitos alunos acham que nunca vão sair do país por serem da escola
pública. O intercâmbio destrói essa ideia e planta uma esperança real”,
afirma.

 

Mariana descreve Brighton como uma
“cidade-abraço”, onde a diversidade social facilita o crescimento
cultural. Ela acompanhou a evolução de alunos que saíram do nível básico para o
avançado em tempo recorde e viu a integração total com outras
nacionalidades. 

 

Para ela, passeios como o Píer de
Brighton, o Royal Pavilion e o i360 são fundamentais, mas a verdadeira bagagem
é a imaterial. “Eles voltam cidadãos do mundo. A democratização do acesso
a essas experiências é o maior retorno que podemos dar para a sociedade
alagoana”, finaliza Mariana.


FONTE: Governo de Alagoas

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