
GOVERNO DE ALAGOAS – Coleção Fios e Tecidos ganha as ruas de Milão e projeta a moda artesanal alagoana no cenário internacional
Parceria entre estilistas, artesãs, entidades produtivas e o programa Alagoas Feita à Mão transformou tradição em desejo global
Coleção reuniu nove técnicas distintas de rendas e bordados, revelando a riqueza do artesanato alagoano
Ericles Vitor
Julyan Bomfim / Ascom Serfi
A moda artesanal de Alagoas
conquistou um novo patamar de visibilidade internacional com a coleção Fios e
Tecidos, que levou para as ruas de Milão, capital mundial da moda, peças
produzidas a partir da colaboração entre estilistas alagoanas e nove entidades
produtivas de artesanato de diferentes regiões do estado. Em meio à
efervescência da Semana de Design de Milão – enquanto Alagoas também se
destacava com a exposição Alagoas Plural, no Fuorisalone, nos dias 20 a 26 de
abril –, a moda feita à mão mostrou sua força ao transformar tradição,
identidade e técnicas artesanais em editoriais vivos no cotidiano italiano.
Composta por criações desenvolvidas
por estilistas em parceria com associações, cooperativas e grupos produtivos, a
coleção reuniu nove técnicas distintas de rendas e bordados, revelando a
riqueza do fazer manual alagoano em composições contemporâneas que dialogaram
com o cenário urbano de Milão. Mais do que peças de passarela, os looks foram
apresentados em contextos reais, reforçando a usabilidade, o desejo e a
potência comercial da moda artesanal.
As peças foram produzidas pelos
grupos Cooperativa Cooperartban, Cooperativa Art Ilha, Associação Mimos de Dona
Peró, Grupo Produtivo Amor Caseado, Associação Casa do Bordado, Grupo Produtivo
Fulô.A, Grupo Produtivo Mestra Clarice, Grupo Produtivo Nossa Singeleza e Grupo
Produtivo Tecelãs, em parceria com as estilistas Fiama Pimentel e Maria
Eugênia.
Para Maria Eugênia, da marca Mareu,
acompanhar essa segunda etapa do projeto em Milão foi a concretização de um
sonho construído ao longo de um ano de trabalho coletivo. Segundo a estilista,
ver as peças expostas no exterior, após o desfile inicial, representou a
conclusão de um ciclo importante para a moda.
“Ver as peças em Milão foi de arrepiar. Pensar que há um ano começou tudo, com
um trabalho feito por várias mãos, visitando cada localidade e conhecendo o
contexto da coleção, torna tudo ainda mais especial. O desfile já tinha sido um
momento de muita satisfação, mas ver essas peças nas ruas de Milão, em cenários
cotidianos, mostrando sua usabilidade real, foi como completar o ciclo da
moda”, frisou.

Maria Eugênia também ressaltou que a inserção das peças no cotidiano amplia o
alcance da moda artesanal e pode inspirar outros criadores a valorizarem o
trabalho manual. “A moda precisa gerar desejo. Quando essas peças, que têm
história e identidade, ocupam as ruas de Milão, elas ganham uma nova dimensão.
Isso impacta consumidores, estilistas e toda a cadeia produtiva, despertando
novos olhares para parcerias com artesãos”, afirmou.
A estilista Fiama Pimentel, da
marca Baru, também celebrou a experiência e destacou a importância da
iniciativa para a valorização global da produção artesanal alagoana.
“Ter minhas peças em Milão, em uma semana tão especial para o design, é a prova
de que a moda artesanal alagoana tem força, beleza e valor para alcançar o
mundo. Essa iniciativa dá visibilidade ao trabalho manual, à nossa cultura e ao
talento de tantos artesãos de Alagoas”, disse.
Fiama enfatizou ainda os impactos
positivos após a colaboração, como reconhecimento ampliado, novas oportunidades
e maior valorização do trabalho artesanal. “Após a colaboração, percebi uma
repercussão muito positiva no meu trabalho, com mais reconhecimento, novas
oportunidades e pessoas valorizando ainda mais o artesanal e a história por
trás de cada peça. Obrigada pela oportunidade e por todo acesso às riquezas de
Alagoas”, finalizou.

Processo criativo
Com sensibilidade estética,
reconhecimento internacional e forte impacto simbólico, Fios e Tecidos não
apenas vestiu Milão, apresentou ao mundo uma nova perspectiva sobre a moda
alagoana, onde herança cultural, design e artesanato se encontram para criar
peças com história, propósito e alcance global. Essa narrativa visual também
foi conduzida pelo olhar do comunicador e coordenador de comunicação Ericles
Vitor, da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag),
responsável por transformar a coleção em um editorial vivo nas ruas da capital
italiana.
Segundo ele, o processo criativo
nasceu de um intenso trabalho de pesquisa e construção conceitual ao lado da
secretária de Estado Paula Dantas (Seplag), buscando criar um encontro entre
peça, corpo e cidade para ampliar a identidade alagoana em um cenário
internacional.
“Procurei fugir de uma lógica mais
engessada de editorial de moda e observar o que cada cenário de Milão oferecia,
a textura das paredes, o ritmo das pessoas, a luz atravessando as ruas, o
contraste dos tons neutros com a riqueza de cores e texturas dos looks”,
explicou.

Para Ericles, inserir o artesanato
no cotidiano milanês foi uma escolha estratégica para deslocá-lo de uma
percepção estática, colocando-o em movimento e em diálogo com uma das maiores
capitais da moda mundial. “A ideia era justamente mostrar que nosso artesanato
não pertence só à passarela ou à vitrine. Ele é vivo, tem usabilidade real,
caimento, presença e pode ocupar diferentes contextos. Estamos falando de peças
que caminham, respiram e carregam nossa identidade para o mundo”, finalizou
Vitor, que é diretor criativo do projeto.
FONTE: Governo de Alagoas









