GOVERNO DE ALAGOAS – Especialistas da Uncisal orientam como identificar sinais de autismo na infância

Equipe do CER III explica quando buscar avaliação e destaca a importância da intervenção precoce no desenvolvimento infantil

Psicóloga Fernanda Barreto explica que não existe um padrão único, o que exige um olhar atento para o comportamento da criança

Ascom Uncisal

Danielle Cândido/Ascom Uncisal

Dificuldades
na comunicação, no contato visual e na interação social podem surgir ainda nos
primeiros anos de vida e gerar dúvidas nas famílias sobre o desenvolvimento
infantil. Diante desse cenário, especialistas do Centro Especializado em
Reabilitação (CER III) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(Uncisal) explicam quais sinais merecem atenção, quando procurar avaliação
profissional e como o acompanhamento adequado pode influenciar diretamente a
evolução da criança.

O
Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento
que se manifesta de diferentes formas e intensidades. A psicóloga Fernanda
Barreto explica que não existe um padrão único, o que exige um olhar atento
para o comportamento da criança ao longo do tempo.

“O autismo
se caracteriza por padrões de interesse restritos e comportamentos repetitivos,
mas ele é um espectro justamente porque cada criança vai apresentar isso de
forma diferente”, afirma a psicóloga. Segundo Fernanda Barreto, mais do que observar
situações isoladas, é necessário considerar o conjunto de comportamentos e
buscar avaliação especializada quando algo foge do esperado.

Entre os
sinais que podem indicar a necessidade de investigação estão a dificuldade de
manter contato visual, pouco interesse em interações sociais, atraso na fala e
dificuldades no brincar compartilhado. A fonoaudióloga Cecília Marques destaca
que muitas famílias percebem esses indícios, mas acabam adiando a busca por
ajuda.

A
fonoaudióloga afirma que, ao notar algo diferente, o ideal é procurar
orientação profissional o quanto antes, mesmo que posteriormente se confirme
que o desenvolvimento está dentro do esperado. Para a especialista, a
antecipação dessa avaliação evita perda de tempo em uma fase decisiva do desenvolvimento.

A
intervenção precoce é apontada como um dos fatores mais importantes no
acompanhamento de crianças com TEA. O terapeuta ocupacional Thiago Eudes chama
atenção para estudos que indicam a presença de sinais ainda nos primeiros meses
de vida.

“Quanto
mais cedo a gente identifica e começa a intervir, maiores são as possibilidades
de desenvolvimento dessa criança”, diz Thiago Eudes. O terapeuta ocupacional
explica que sinais como ausência de sorriso social, dificuldade de contato
visual e reações sensoriais atípicas já podem ser percebidos antes dos dois
anos, o que reforça a importância de um olhar atento desde a primeira infância.


Atendimento
multidisciplinar

No CER III
da Uncisal, o atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar que atua
de forma integrada para atender às diferentes necessidades da criança. A
terapia ocupacional trabalha aspectos relacionados à autonomia e às atividades
do dia a dia; a fonoaudiologia atua no desenvolvimento da comunicação; e a psicologia
acompanha o comportamento e o desenvolvimento emocional. Esse trabalho conjunto
permite a construção de estratégias individualizadas, considerando as
características de cada paciente.

Dentro
desse processo, a família tem papel central. A psicóloga Fernanda Barreto
observa que o desenvolvimento não acontece apenas durante as sessões
terapêuticas, mas em todos os ambientes em que a criança está inserida. Segundo
ela, quando os responsáveis participam ativamente e aplicam orientações no
cotidiano, os avanços tendem a ser mais consistentes.

A
fonoaudióloga Cecília Marques acrescenta que pequenas ações do dia a dia podem
contribuir significativamente para o desenvolvimento da criança, a exemplo de
incentivar a autonomia e promover interações. Outro ponto de atenção destacado
pelos especialistas é o uso excessivo de telas. Embora não seja causa do
autismo, o hábito pode prejudicar o desenvolvimento infantil.

“A criança
precisa de interação, de troca, de brincar. A tela não oferece isso”, afirma
Cecília. Thiago Eudes complementa que a exposição prolongada reduz
oportunidades de exploração do corpo e do ambiente, o que impacta habilidades
motoras, cognitivas e sociais.

Mitos sobre
o autismo

A equipe
também alerta para a circulação de informações equivocadas sobre o tema. Entre
os mitos mais comuns está a ideia de que o autismo tem cura. Os profissionais
explicam que o TEA não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento,
e que o objetivo das intervenções é ampliar a funcionalidade e a qualidade de
vida.

Outro
equívoco recorrente é o receio em relação ao uso da comunicação alternativa,
como estratégias que utilizam figuras, gestos ou aplicativos para ajudar a
criança a se expressar. Muitos familiares temem que esse recurso impeça o
desenvolvimento da fala, mas, segundo os especialistas, ele pode ampliar as
possibilidades de comunicação e, em alguns casos, até estimular o surgimento da
linguagem verbal.

Além disso,
o diagnóstico em meninas ainda tende a acontecer mais tardiamente. Isso ocorre,
segundo os profissionais, porque muitas conseguem disfarçar dificuldades
sociais, o que pode atrasar a identificação do transtorno. Esse cenário exige
atenção redobrada para sinais mais sutis.

A
orientação dos especialistas é clara: diante de qualquer dúvida sobre o
desenvolvimento infantil, o mais indicado é buscar avaliação com profissionais
qualificados. A identificação precoce e o acompanhamento adequado podem fazer
diferença significativa na trajetória da criança.

O conteúdo
sobre o transtorno do espectro autista foi abordado por profissionais do CER
III da Uncisal em episódio recente do UnciCast, podcast institucional da
universidade, disponível no canal do YouTube: https://www.youtube.com/live/z4MRSJ_rCu4?si=a5Ban3Dm7hqvHWmD

 

 


FONTE: Governo de Alagoas

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