CULTURA – A representatividade Cultural de Matheus Cavalcanti

Infere-se por sobre representatividade cultural, a capacidade seja literaria ou oriunda de qualquer outra expressão artística de enaltecer a própria localidade, de engrandecer os aspectos regionalistas numa diretriz de universalidade e plasticidade cultural. Diz-se de uma obra regionalista aquela que tem por finalidade o enaltecimiento da localidade na qual ela fora composta e que representa.

Dentre os inúmeros autores os quais fizeram uso do regionalismo como pano de fundo de suas respectivas obras é possível citar Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, Jorge Amado, José de Alencar, Bernardo Guimaraens, Franklin Távora, Maria Firmino dos Reis, Visconde de Taunay, José Lins do Rego, Érico Veríssimo e Guimaraens Rosa.

Na contemporaneidade, entretanto, vislumbramos expressões de autores como Adriano Marcena, João Calazans Filho, Lourenço Mutarelli, Ricardo Guerra e Matheus Cavalcanti. Este último, proveniente da cidade de Maceió, AL. Membro efetivo da União Brasileira de Escritores, Núcleo Arapiraca. Autor de 8 obras publicadas e outras no prelo. Poeta, escritor e pesquisador da cultura alagoana.

Matheus Cavalcanti é, antes de tudo, o mais exímio exemplo de representatividade cultural. Aquele que levanta nossa bandeira literaria e, mais que isso, a torna arma de combate e protesto, elemento construtivo de nossa sociedade, fator imperioso de engajamento. Reflete a literatura enquanto instrumento constituinte e construtor.

Seu brilhantismo é notório em toda a sua obra, em toda a conjectura de sua escrita e de seu engajamento social. Podemos analisar a representatividade cultural de Matheus Cavalcanti tanto em sua poética quanto na busca que o mesmo desempenha frente a valorização da nossa cultura e literatura.

É o próprio Matheus que irá afirmar que “sejamos os novos personagens da história com a nossa religiosidade, nossa arte, nosso talento, e assim, continuemos a contar a beleza, a força e a nobreza dessa terra que nossos antepassados nos herdaram”. Seu engajamento cultural, pois, se prenota aos caminhos da valorização que é tão importante e, concomitante, tão escassa aos escritores e fazedores de cultura. Matheus é representante da cultura alagoana e representante de primeira. Do patrimônio material ao imaterial, se faz pesquisador e labuta exemplarmente em frentes políticas para a valorização do mesmo.

Sobre a obra líterocultural de Matheus Cavalcanti afirmou Alexandre Holanda que a mesma compreende a “alagoanidade, a força que esse estado tem, o potencial que aprofundou no pequeno pedaço dessa pesquisa e a gente se sente muito realizado com o produto que estamos oferecendo a comunidade que é um produto de informação, de riqueza intelectual”.

De fato, a obra de Matheus Cavalcanti é, com certeza, o melhor exemplo de representatividade cultural que temos em nossa contemporaneidade, na contemporaneidade da literatura alagoana. Matheus está ao quilate de grandes proeminentes da nossa literatura a exemplo de Ariano Suassuna e Graciliano Ramos. Muito mais do que meramente representar a nossa cultura em seus versos, luta para que a mesma alcance reconhecimento e valorização. E esse fato é certamente uma das maiores fortunas que temos em Matheus Cavalcanti. Como breve exemplo de sua obra deixamos o poema Uma noite memorável para as vossas respectivas apreciações:

Na casa da memória alagoana

de Moacir Medeiros de Santana

e dos que escrevem a cultura com resistência.

 

Esta obra escrita em verso e prosa

foi lançada

com renome e regozijo para registrar na história,

a grandeza do talento recebido que clareia a vida.

Façamos da literatura, da palavra poética, elemento constituinte e construtor de uma sociedade mais instruída, mais digna e mais capaz. Que tomemos a palavra literária como instrumento sociológico, pedagógico, político e social. Assim como tão magistralmente o fez Graciliano Ramos que possamos fazer da nossa palavra poética bandeira de protesto e arma de combate frente as intempéries sociais. É nisso Matheus Cavalcanti, nobilíssimo literato alagoano, se faz um mestre por excelência.

 

 

 

 

 

 

 

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