
GOVERNO DE ALAGOAS – Sesau orienta população sobre riscos, prevenção e tratamento da doença de Chagas
A enfermidade pode passar anos de forma silenciosa no organismo, em sua forma crônica
É recomendado não residir em casas de taipa, rebocar as paredes, vedar frestas, utilizar telas em portas e janelas
Carla Cleto e Ruana Padilha / Ascom Sesau
Ruana Padilha / Ascom Sesau
No mês de combate à doença de
Chagas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) orienta sobre a importância
do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enfermidade. A doença
pode passar anos de forma silenciosa, sem apresentar sintomas, no caso da forma
crônica.
Transmitida principalmente pelo inseto conhecido como barbeiro, a doença de
Chagas ocorre quando o vetor, ao picar a pessoa, elimina fezes contaminadas com
o protozoário Trypanosoma cruzi. Elas penetram no organismo pela pele ou
mucosas, infectando a pessoa ferida.
A técnica de Zoonoses da Sesau,
enfermeira Monique Calheiros, ressalta que, em caso de qualquer suspeita, o
caso deve ser comunicado, imediatamente, ao serviço de vigilância em saúde do
município de residência do paciente. “Com isso, os técnicos e autoridades
de saúde pública irão atuar para realizar o diagnóstico da doença de
Chagas”, salienta.
Além da transmissão vetorial,
Monique Calheiros enfatiza que a doença também pode ser contraída pela ingestão
de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana mal higienizados. Ela
também pode ocorrer pela transmissão congênita, da mãe para o bebê, durante a
gestação ou parto, por transplante de órgãos infectados, transfusão de sangue
contaminado e, mais raramente, por acidentes laboratoriais.
Para evitar a doença, a enfermeira da Sesau orienta que é necessário manter
casas e quintais limpos, evitando o acúmulo de entulhos, madeira, telhas e
materiais onde o inseto possa se esconder. Também é recomendado não residir
em casas de taipa, rebocar as paredes, vedar frestas, utilizar telas em portas
e janelas e manter galinheiros e currais afastados das residências.
“Ambientes limpos e organizados
reduzem significativamente os locais de abrigo do barbeiro. Caso o inseto seja
encontrado, a recomendação é não esmagá-lo, mas recolhê-lo com cuidado e
encaminhá-lo ao Posto de Informação de Triatomíneos mais próximo. Para mais
informações é necessário procurar a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de
residência”, instruiu Monique Calheiros.
Sintomas
Os sintomas da doença de Chagas variam de acordo com a fase da infecção. Na
fase aguda, os pacientes podem apresentar febre prolongada, dor de cabeça,
dores no corpo, além de sinais característicos como inchaço em um dos olhos,
conhecido como sinal de Romaña, e ferida no local da picada do inseto. Já na
fase crônica, que pode surgir anos após a infecção, muitos pacientes permanecem
sem sintomas, enquanto outros desenvolvem complicações cardíacas e digestivas,
como insuficiência cardíaca.
De acordo com Monique Calheiros, a identificação precoce é fundamental para
reduzir complicações futuras. Na fase aguda, a identificação é feita por meio
da busca direta do parasita no sangue. Já na fase crônica, são realizados
exames sorológicos para detecção de anticorpos.
“Como muitos sintomas podem ser
percebidos, é essencial que a avaliação clínica esteja associada ao histórico
epidemiológico do paciente. Para isso são considerados alguns fatores,
como presença de barbeiros na residência ou histórico familiar da doença”,
explica a enfermeira da Sesau.
Tratamento
O tratamento da Doença de Chagas é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) e definido conforme avaliação médica individualizada,
considerando a fase da doença e as condições clínicas de cada paciente. “A
terapêutica pode incluir o uso de medicamentos antiparasitários, como o
Benznidazol, além de acompanhamento contínuo para monitoramento e manejo de
possíveis complicações cardíacas ou digestivas associadas à enfermidade”,
informa.
Em Alagoas, a doença segue em vigilância permanente. Segundo dados do Programa
Estadual de Controle de Zoonoses, em 2025 não houve confirmação de casos
agudos, mas foram registrados 56 casos confirmados da forma crônica. A maioria
dos pacientes apresenta comprometimento cardíaco, com maior incidência entre
pessoas com 60 anos ou mais.
Apesar da ausência de casos agudos confirmados no último ano, o Estado
permanece em alerta devido à possibilidade de subnotificação, à presença do
vetor em diversos municípios e ao risco contínuo de transmissão. “As ações de
vigilância epidemiológica e entomológica são contínuas em Alagoas, com visitas
domiciliares, monitoramento do vetor, investigação de casos suspeitos e
capacitação permanente dos municípios. O controle da doença depende também da
participação ativa da população”, pontuou a técnica de Zoonoses da Sesau,
Monique Calheiros.
FONTE: Governo de Alagoas


