Vai ter um encontro? Saiba como verificar o histórico de violência

No início de um relacionamento, quando tudo ainda é novidade, também é possível adotar medidas de segurança antes de se envolver profundamente. Segundo relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de janeiro a março de 2026,  81.304 mulheres obtiveram medidas protetivas.

À coluna, o secretário de segurança pública do Distrito Federal (DF), Alexandre Patury e a chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Adriana Romana, deram dicas de como identificar potenciais agressores, e especialmente, como consultar históricos judiciais de terceiros por meio de plataformas públicas e pesquisas na internet.

Na sexta-feira (3/4), um vídeo publicado por uma guarda civil municipal do Espírito Santo, ensinando mulheres a fazer esse tipo de verificação viralizou nas redes sociais. Nele, ela mostra como fazer uma “consulta processual” no site do Tribunal de Justiça utilizando apenas o nome completo do indivíduo.

Nesses sistemas, é possível verificar se há registros de ações criminais, incluindo casos relacionados à violência doméstica, ameaças ou medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha. Outra ferramenta disponível é o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), que indica se há ordem de prisão em aberto.

No entanto, nem sempre todos os casos possuem um histórico criminal registrado. Segundo o secretário Alexandre Patury, muitos casos de violência não chegam ao conhecimento do Estado.

“O histórico, geralmente, é recorrente. As pessoas que cometem esse tipo de agressão, não necessariamente têm um histórico criminal. Muitas vezes existe o histórico, mas não está ligado ao feminicídio. Esse é um dos principais entraves que a gente tem”, explicou.

Ele destaca que a subnotificação ainda é um problema significativo. “Ao menos 70% dos crimes de feminicídio, e muitos dos crimes envolvendo violência doméstica, nunca são levados ao Estado que, muitas vezes, só consegue perceber depois que a coisa aconteceu”, afirmou.

Sinais de alerta 

Por isso, além da checagem formal, observar o comportamento é fundamental. Relacionamentos abusivos raramente começam com agressões explícitas. Segundo Adriana Romana, à frente da Deam, os primeiros sinais costumam ser sutis, confundidos com cuidado.

“Ao iniciar um relacionamento, as mulheres devem observar se a pessoa apresenta comportamentos indicativos de controlar a sua vida, tais como determinar qual vestimenta usar, com quem falar, acesso ou não a redes sociais, afastar a mulher de seus familiares, amigos ou rede de apoio”, apontou a delegada.

Outros sinais incluem mudanças bruscas de humor, desrespeito, insistência após negativas e atitudes agressivas em relação a outras pessoas.

“É aquela pessoa que explode repentinamente, depois pede desculpa e diz que te ama. Parece um script que sempre termina da mesma maneira”, acrescentou Patury.

Além disso, é recomendado que o primeiro encontro seja feito em locais públicos e movimentados. Observar como o pretendente trata atendentes, desconhecidos e amigos pode revelar traços importantes da personalidade. Também é indicado compartilhar a localização com pessoas de confiança e manter amigos ou familiares informados sobre o encontro.

Outro ponto importante é não se isolar. “É importante manter a rede de apoio ativa. Muitas vezes, quem está de fora consegue perceber sinais que não são tão claros para quem está envolvido emocionalmente”, afirmou o secretário.

Para os especialistas, a pressa também é um fator de risco. “Antes de abrir as portas da sua casa e da sua vida para uma nova relação, procure saber quem é aquela pessoa, sua origem, seus hábitos, seus interesses. Ter cautela, ir com calma, sem apressar os passos, também é importante. Pois um potencial agressor pode estar se aproveitando desse início romantizado para praticar violências”, recomendou Adriana.

Caso os sinais de abuso apareçam, a orientação é não ignorá-los. Pequenas atitudes podem evoluir para situações mais graves com o tempo. “Você não pode normalizar pequenos abusos. É aquela piada que te diminui, aquela mania de te culpar por tudo, o controle da sua roupa, amigos, da rotina”, disse Patury.

A intuição também deve ser levada em conta. “Se você sente logo uma sensação de desconforto, medo, ansiedade no início, isso já não é normal. Intuição é um mecanismo de proteção”, afirma.

Como buscar ajuda

Em casos de emergência, a recomendação é acionar a polícia pelo telefone 190. Também estão disponíveis canais como o 180, da Central de Atendimento à Mulher, além de delegacias especializadas, Ministério Público e Defensoria Pública.

A tenente-coronel Renata, chefe do Centro de Políticas de Segurança Pública da Polícia Militar do Distrito Federal, destaca que sinais mais explícitos também devem ser levados a sério desde o início.

“Ameaças, chutes, puxão de cabelo, controle excessivo das suas senhas, do seu dinheiro, da roupa que você usa e ciúme excessivo. Isso não é demonstração de amor, isso é sinal de controle e de um relacionamento abusivo.”

Segundo a oficial, além do atendimento emergencial, há suporte contínuo para mulheres em situação de violência.

“Se você eventualmente precisa de um acompanhamento, de um monitoramento ou de um apoio da rede de atendimento à mulher em situação de violência, procure o atendimento do serviço especializado da Polícia Militar, o Policiamento de Prevenção Orientado à Violência Doméstica (Provid)”, completa.


FONTE: Metrópoles

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