
GOVERNO DE ALAGOAS – Secult e Ufal unem tecnologia e memória na digitalização de obras raras da Biblioteca Pública Estadual
Iniciativa amplia o acesso ao acervo histórico e preserva exemplares únicos que atravessam séculos
Digitalização garante preservação de acervo raro e amplia acesso ao patrimônio histórico alagoano
Tatiane Almeida / Ascom Secult
Daniel Borges / Ascom Secult
No centro de Maceió, entre paredes que guardam ecos de outras épocas, a
Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos abriga um verdadeiro tesouro.
Cerca de 6 mil obras raras que contam, em silêncio, capítulos fundamentais da
história de Alagoas, do Brasil e do mundo. Agora, essas vozes antigas começam a
ganhar um novo formato e alcance com a digitalização do acervo, resultado de
uma parceria inédita entre a Secretaria de Estado da Cultura e Economia
Criativa (Secult) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
A iniciativa conecta passado e futuro ao permitir que documentos
frágeis, antes acessíveis apenas presencialmente e sob rigorosos cuidados,
possam alcançar pesquisadores, estudantes e a sociedade de forma mais ampla,
sem comprometer sua integridade física.
Esse movimento dialoga diretamente com uma construção que vem sendo
feita ao longo dos anos. Em 2014, durante o processo de restauração e
modernização da biblioteca, foi identificada a existência de milhares de
exemplares com características raras. A partir daí, surgiu a necessidade de
organização, estudo e preservação especializada desse material, culminando na
estruturação do setor de obras raras.

Em 2015, a aprovação da Política de Desenvolvimento de Coleções
consolidou diretrizes técnicas para a preservação, catalogação e ampliação do
acesso ao acervo, alinhando a biblioteca a parâmetros nacionais e
internacionais.
Os livros raros vão além do conteúdo impresso. São objetos que carregam
marcas do tempo, como encadernações artesanais, tipos de papel já inexistentes,
impressões tipográficas e até anotações feitas à mão. Cada detalhe amplia as
possibilidades de leitura e pesquisa, revelando aspectos culturais, científicos
e sociais de diferentes períodos históricos.
Entre os exemplares mais antigos está a coleção Contos de Diogo de
Couto, publicada em 1778, que registra os feitos portugueses no Oriente e se
mantém como fonte relevante para estudiosos da expansão marítima.
A digitalização surge, nesse cenário, como um desdobramento natural do
trabalho de preservação e valorização desse acervo histórico. Ao transformar
páginas delicadas em arquivos digitais, a iniciativa protege os originais e, ao
mesmo tempo, democratiza o acesso ao conhecimento.
“Estamos diante de um trabalho que conecta gerações. Ao digitalizar
essas obras, ampliamos o acesso ao conhecimento e cuidamos de um patrimônio que
pertence a todos os alagoanos. É uma ação que dialoga com educação, pesquisa e
identidade cultural”, disse a secretária de Estado da Cultura e Economia
Criativa, Mellina Freitas.
“A atuação do governador Paulo Dantas também tem sido fundamental para
viabilizar investimentos e articulações institucionais que tornam projetos como
este possíveis, integrando cultura, ciência e tecnologia em benefício da
população”, completa a gestora.

A supervisora da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, Mira
Dantas, também enfatiza a relevância do projeto. “Cada obra rara que temos aqui
carrega uma história única. A digitalização permite que essas histórias cheguem
mais longe, sem colocar em risco a preservação dos exemplares. É uma forma de
garantir que esse acervo continue vivo e acessível”, falou.
“Neste primeiro momento, nosso foco está voltado para a digitalização
das obras de autores alagoanos. São registros que ajudam a contar a nossa
própria história, revelando aspectos da cultura, da literatura e da formação do
Estado. Garantir que esse material seja preservado e possa ser acessado por
mais pessoas é fundamental para manter viva a memória de Alagoas”, destaca
Mira.
Laboratório de Gestão Eletrônica de Documentos
A parceria com a Ufal se concretiza
por meio do Laboratório de Gestão Eletrônica de Documentos (Laged), inaugurado
em 2024. O espaço foi viabilizado com investimento de R$ 200 mil da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em articulação com a
Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Equipado com
tecnologia de ponta, o laboratório atende estudantes da graduação em
Biblioteconomia e do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação
(PPGCI), além de colaborar com projetos de instituições públicas.
Nesse ambiente, onde o saber acadêmico encontra a prática, a
digitalização do acervo raro da biblioteca se transforma também em campo de
formação profissional e produção de conhecimento.
Para a coordenadora do Laged,
professora doutora Rosaline Mota, o laboratório exerce papel central em todo o
processo e também na formação acadêmica dos estudantes. “O papel do Laged nesse
processo de digitalização é imprescindível, pois sem o Laged a gente não
conseguiria fazer um trabalho tão minucioso, tão delicado e de tanta inovação
como é esse processo de digitalização das obras raras da Biblioteca Pública
Estadual Graciliano Ramos”, disse.
“Esse processo de digitalização
contribui de forma muito intensa para a preservação, para a conservação dos
documentos que são raros e que as pessoas passarão a ter o acesso digital ao
invés do acesso físico, porque esse acesso físico envolve o manuseio humano,
ele envolve retirada, movimentação das obras raras e tudo isso, tendo em vista
que o material já é bem antigo, faz com que essas obras se deteriorem ainda
mais”, falou.
“Quando você coloca esse acervo de
forma digital, você permite a conservação e a preservação dessas obras, porque
as pessoas vão poder acessar a partir de uma base de dados digital”, destacou a
professora.
Rosaline Mota também evidencia o
impacto da parceria na formação dos estudantes. “Essa parceria com a Secult com
certeza impacta na formação dos estudantes, tanto da graduação em
biblioteconomia quanto da pós-graduação em ciência da informação, porque nós
desenvolvemos nesse semestre uma atividade curricular de extensão que trata
justamente do processo de digitalização dessas obras raras. Os estudantes que
estão tendo contato com esse acervo conseguem ter uma formação mais completa,
mais robusta e estarão aptos, no futuro breve, a atuar diretamente em projetos
como esses”, ressaltou.

Ela destacou o protagonismo da
biblioteca e da Secult. “A Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos está na
vanguarda, é pioneira com essa iniciativa. A Secult está de parabéns, porque
mostra um movimento político de preservação documental e de uma parcela
significativa da história, da produção literária do estado de Alagoas”, disse.
Para ela, do ponto de vista acadêmico
e cultural, ampliar esse acervo significa disponibilizar a toda a população um
rico acervo e uma história muito marcante dos autores alagoanos. “Nós temos
obras raríssimas, obras que merecem ter o conhecimento do público e que
retratam o que é a nossa cultura, a nossa religiosidade, enfim, uma série de
aspectos das vivências alagoanas”, falou.
“É muito importante, muito importante
mesmo, a gente ter uma profissional como a Mira Dantas, bibliotecária,
responsável por esse acervo, porque ela também é fruto da graduação e da
pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. A gente consegue
observar que nós formamos esses profissionais e o mercado de trabalho absorve
aqueles que têm relevado destaque, que é o caso da Mira”, destacou a doutora.
FONTE: Governo de Alagoas


