GOVERNO DE ALAGOAS – Criança de 3 anos que sofreu acidente de moto e estava sem capacete sobrevive após assistência no HGE

Rhavy Lucca escapou da morte, mas ficou paraplégico e segue em reabilitação para poder retornar à residência

Rhavy foi assistido pela rede integrada da Secretaria de Estado da Saúde

Natália Lessa

Thallysson Alves / Ascom HGE

O pequeno
Rhavy Lucca da Silva Pereira, de apenas 3 anos, voltava com os pais do sítio
Serrote do Umbuzeiro, na zona rural de Olho d’Água do Casado, quando a moto em
que estavam foi atingida por um caminhão baú na AL-220, no trecho que corta o
município de Delmiro Gouveia. Com o impacto, ele ficou gravemente ferido, mas,
felizmente, após tratamento intensivo no Hospital Geral do Estado (HGE), em
Maceió, o garoto teve a vida salva e recebeu alta médica, após quase três meses
de internação.

 

No dia do
acidente, trafegavam na moto três pessoas. Rhavy era o único sem capacete. Com
o impacto foi violento, a mãe da criança morreu, o pai foi socorrido e levado
ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, onde recebeu
atendimento médico e, após a alta hospitalar, continua em acompanhamento
psicológico.

 

Já Rhavy
precisou do resgate rápido e preciso do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu), dos cuidados multidisciplinares do HRAS e do Hospital de
Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, por onde também passou.
Posteriormente, no dia 2 de janeiro deste ano, foi levado para o Hospital Geral
do Estado (HGE), em Maceió, maior referência em atendimento a politraumatizados
em Alagoas.

 

“A atuação
da rede da Secretaria de Estado da Saúde [Sesau] foi ágil e determinante para
manter a criança estabilizada até a transferência para a maior unidade de
urgência e emergência de Alagoas, referência no tratamento de traumas de média
e alta complexidade. No HGE, o Rhavy enfrentou dias delicados na UTI, mas ele
pode contar com profissionais qualificados, que conseguiram afastar o risco de
morte e levá-lo para recuperação em Enfermaria”, pontuou o diretor médico da
unidade, Miquéias Damasceno.

 

Paraplegia

 

Entretanto,
a família da criança precisou enfrentar o diagnóstico da paraplegia devido a
uma lesão medular que resultou na perda dos movimentos entre o pescoço e os
pés. A pediatra Ana Carolina Ruela explica que, para uma criança de três anos,
o peso dessa condição vai além da limitação física, representa o risco de uma
infância limitada, sonhos redesenhados antes mesmo de serem compreendidos.

 

“Mas, quando
ele chegou aqui na Enfermaria Pediátrica, a nossa equipe seguiu com os esforços
para a recuperação de sua saúde e iniciou o processo de reabilitação, com
assistência da Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. Ao passar
dos dias, mesmo diante de um cenário tão duro, a história começou a ganhar
novos contornos e vem animando todos nós”, relatou a médica do HGE.

 

Os
resultados começaram a aparecer e os movimentos que não existiam passaram a
surgir. Hoje, a criança já consegue sentar, pegar objetos e até contrair ambas
as pernas – avanços considerados extremamente significativos para o quadro
clínico. A terapeuta ocupacional Enísia Freitas explica que esses avanços são
resultados de um treinamento de habilidades básicas, utilizando a ludicidade
para despertar o interesse do menor.

 

“Estimulamos
o controle cefálico, controle de cabeça, a funcionalidade de membros superiores
(o pegar, o soltar, manipulação de objetos), o controle de tronco, as reações
de endireitamento, a coordenação motora e visomotora e a sensibilidade abaixo e
acima do nível da lesão. Durante todo o processo de reabilitação, Rhavy teve
ganhos significativos adquirindo habilidades. E a gente aqui do HGE só tem que
acolher e apoiar ele para que, futuramente, ele siga neste processo de
progressos funcionais”, declarou a terapeuta ocupacional do HGE.

 

Reabilitação

 

Rhavy já
recebeu alta hospitalar e voltou para casa, onde deve continuar o processo de
reabilitação cercado pelo amor de sua família. Joana Pereira da Silva, tia do
garoto, deixou um recado importante às famílias que também usam a moto como
meio de transporte.

 

“Eu alerto
aos pais que não saiam de casa com seus filhos, três pessoas em uma moto. Se
puder ir só um ou dois, vai embora os dois com Deus na frente. Nunca saia os
três, porque o que o Rhavy está passando aqui não é fácil. Então, eu deixo esse
apelo para as pessoas que têm amor aos seus filhos que não façam mais isso,
porque dói”, enfatizou Joana, que esteve com a criança durante os quase três
meses de internação. 

 

Números altos

 

Em 2025,
2.429 pessoas foram atendidas no HGE por acidentes de moto. A história de Rhavy
escancara uma realidade frequente nas estradas brasileiras. O transporte de
crianças em motocicletas, muitas vezes sem equipamentos de segurança e acima do
número permitido de passageiros, continua sendo uma prática comum e
extremamente perigosa. O Código de Trânsito Brasileiro proíbe o transporte de
crianças menores de 10 anos em motocicletas, além de exigir o uso de capacete
adequado para todos os ocupantes e o respeito ao limite de passageiros.

 

“Ainda
assim, o desrespeito às normas segue provocando consequências graves. Somente
aqui no HGE, 2.429 pessoas foram atendidas em 2025 por acidentes de moto e nos
primeiros dois meses deste ano já registramos 439 atendimentos. São pessoas que
vivem consequências com marcas profundas que incluem sequelas permanentes, como
a paraplegia, psicológicas e sociais, já que famílias inteiras têm suas rotinas
e estruturas abaladas, muitas vezes enfrentando dificuldades financeiras e
emocionais”, ressaltou o cirurgião geral Amauri Clemente.

 

No caso de
Rhavy, a dor da perda da mãe se soma ao desafio de uma nova realidade
mergulhada no universo de dificuldades enfrentadas por quem vive na zona rural
do Sertão. Agora, a missão da família, amparada pelos serviços municipais, é
continuar com o tratamento, que inclui a reabilitação, e, ao passar dos dias,
conseguirem reconstruir uma nova história de superação para todos.


FONTE: Governo de Alagoas

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