
GOVERNO DE ALAGOAS – A epopeia do sargento alagoano que une a farda e o fisiculturismo por meio da disciplina
Sargento Gabriel Cataldo concilia rotina entre a atividade policial e treinamentos intensos, tornando-se destaque no fisiculturismo alagoano
Sargento Gabriel Cataldo: o atleta além da farda
Igor Lessa/ Ascom PM-AL
George Amorim/Ascom PM-AL
A trajetória de Hércules, personagem heroico da mitologia
grega, conhecido pela força física e resiliência, encontrou eco na história do
sargento da Polícia Militar de Alagoas, Gabriel Cataldo. Com 10 anos de
serviços prestados à PM-AL, o militar de 32 anos divide o cotidiano entre a
atividade policial e a intensa rotina de treinos como praticante de
fisiculturismo. Com determinação, ele superou as adversidades para se tornar um
dos destaques no esporte em Alagoas.
Carioca, Gabriel chegou à terra dos Marechais aos 14 anos de
idade, para construir um legado de valorização do equilíbrio entre o corpo e a
mente em busca da excelência. Campeão Alagoano em duas categorias, o sargento é
o quarto personagem da série de reportagens “Além da farda”, iniciativa que destaca
policiais dedicados a atividades culturais e outros hobbies, revelando à
sociedade um lado humano e pouco difundido da tropa alagoana.
O encontro entre o militar e o esporte
O fascínio de Cataldo pela atividade física vem desde a
infância. Mas, foi aos 18 anos, quando ele serviu às Forças Armadas, no
Exército Brasileiro, que pôs em prática sua aptidão pelas competições
esportivas. Na instituição, ele participava de diversas modalidades, desenvolvendo
habilidades que serviram de base para a profissionalização no fisiculturismo.
“Quando comecei nesse mundo de competições, não escolhia
muito a modalidade. Participava de provas de corrida, pentatlo militar, tiro e
tantas outras. Com isso, eu fui ficando cada vez mais próximo do mundo
esportivo e me interessando mais pelo corpo humano e sobre como ele funcionava
durante a prática de atividades. Daí, iniciei os estudos em casa mesmo, para me
aperfeiçoar na anatomia humana”, relembra o sargento.
No entanto, a aptidão física carecia de disciplina e rigor,
encontrados por Cataldo ao servir no Batalhão de Operações Policiais Especiais
(Bope), após sua aprovação no concurso, em 2016. Na unidade militar, o
treinamento físico é um pilar para o bom desempenho das missões nas quais seus
policiais são empregados.
“Quando entrei na polícia, como fui direto para o Bope, lá
eles priorizam um condicionamento físico que beira a excelência. O Treinamento
Físico Militar (TFM) acontece tanto nos momentos de entrada e saída dos
serviços, como também nos dias de folga. Com isso, fiquei ainda mais curioso
para entender como funcionava meu corpo diante daquela carga de atividades,
principalmente os processos fisiológicos e metabólicos que ele passava durante
o exercício”, pontuou o militar.
A partir disso, o sargento resolveu transformar a
curiosidade em conhecimento técnico, iniciando uma graduação no curso de
Nutrição. Na faculdade, ele percebeu que a força física vai além do esforço (no
sentido literal), e compreendeu que nossas escolhas alimentares são
fundamentais para potencializar os rendimentos obtidos durante as práticas
esportivas. Naquele momento, ele encontrou no fisiculturismo a modalidade
perfeita para observar os processos de evolução corporal estudados e
vivenciados em sua trajetória esportiva.
Do hobby à profissionalização
Inicialmente, o sargento mergulhou no mundo do
fisiculturismo sem pretensão de participar de competições. Porém, a rotina
regrada e a melhora no condicionamento físico obtidos pelos novos hábitos logo
levaram Cataldo aos principais circuitos da modalidade no âmbito local. Já na
primeira disputa como competidor, em 2018, o resultado foi surpreendente:
conquistou o primeiro lugar na categoria que disputou. Desde então, os troféus
foram se acumulando.
Atualmente, Gabriel Cataldo compete na categoria Men’s
Physique. No fisiculturismo masculino existem outras duas categorias: a Men’s
Open e a Classic Physique. O que difere cada uma são os critérios de avaliação
corporal, como o grau de definição e volume.
“Existem três categorias masculinas no fisiculturismo. A
Open, onde conquistei meu primeiro título, não possui limite de peso. Os
atletas buscam o máximo de volume e densidade muscular possível. Já a Classic
Physique, valoriza a proporção e simetria, a exemplo dos ombros largos e da
cintura fina. Atualmente, a minha categoria é a
Men ‘s Physique, que tem como objetivo um corpo mais estético, com um
físico que eles chamam de ‘praieiro’, incluindo até a utilização de bermuda, ao
invés da sunga”, explica o sargento Cataldo.
Com a profissionalização, a atividade física tornou-se um
item ‘obrigatório’ na rotina do militar. A intensidade dos treinos e o volume
de alimentação são diferentes daqueles praticados pelos atletas amadores,
exigindo um grau de dedicação e disciplina ainda maior de Cataldo.
“É lógico que a rotina vai ser muito mais puxada, né? Numa
preparação para as competições de fisiculturismo, eu treino praticamente duas
horas na academia e, dependendo da fase, eu faço mais uma hora e meia de cardio.
Então, são praticamente quatro horas por dia de atividade física, fora todo o
planejamento alimentar, tendo que fazer as refeições no horário e na quantidade
corretos para o corpo puxar o máximo possível dos nutrientes que a gente está
precisando naquele momento”, destacou o atleta.
Os desafios do sargento Cataldo
Embora não precise enfrentar o Leão de Nemeia – como na
epopeia de Hércules – o sargento Cataldo precisa lidar com uma série de desafios
para alinhar os limites entre o corpo e a mente. Um deles é manter a disciplina
alimentar para não atrapalhar seu rendimento esportivo, alinhando a rigidez dos
horários e a quantidade de refeições durante a execução do serviço policial.
“Quando a gente estava no serviço ordinário, a
imprevisibilidade era muito grande. Lá pelo Bope, os serviços são em regime de
24 horas, além disso, tinha expediente saindo do plantão. Por vezes tinha
operação saindo de serviço também. Na maioria das vezes, eu chegava lá com duas
bolsas. Eram praticamente sete refeições, já pensado até o almoço do dia
seguinte. Às vezes você pega uma ocorrência, vai para a Central, passa horas,
mas eu já estava com a minha marmita ali, pronta, embaixo do banco da viatura”,
destacou o militar.
A rotina intensa do fisiculturismo também precisa ser
adaptada ao ambiente familiar. Porém, as restrições alimentares não impedem que
o sargento Cataldo tenha tempo de qualidade ao lado da esposa e do filho. Com
um perfil caseiro, ele conta que precisa se desdobrar quando resolve sair com a
família para fazer um lanche.
“Minha esposa e meu filho gostam muito de sair para lanchar
e isso é uma coisa que eu também consigo alinhar. Muitas vezes as pessoas
passam pela gente na rua e ficam rindo quando veem eles comendo pizza e eu do
lado com minha marmita. Essa situação acontece no período final de preparação
para as competições, quando não tem mais margem para erro”, descreveu o
fisiculturista.
Além das missões esportivas, o militar vem atuando como
nutricionista em um programa desenvolvido pela Polícia Militar, por meio do
Departamento de Educação Física e Desportos (DEFD). A iniciativa, intitulada
“Programa Vida Saudável e Superação”, faz o acompanhamento nutricional e
introduz militares que antes tinham uma rotina sedentária à prática de
atividades físicas.
“É satisfatório observar que o esporte, alinhado a uma boa
alimentação, é capaz de modificar a vida de tantas pessoas, devolvendo a elas
uma qualidade perdida devido ao sedentarismo. Desde que iniciamos o programa,
temos obtido um feedback positivo. Não queremos formar atletas, mas sim
devolver a dignidade a esses militares”, enfatizou o sargento.
Em busca do “Olimpo”
Assim como Hércules superou seus desafios e alcançou o
Olimpo, Cataldo traça planos para conquistar uma posição de destaque no
fisiculturismo nacional. A carreira promissora, com títulos nos seus dois
primeiros anos de competição, precisou de uma pausa durante a pandemia. Porém,
desde 2023, ele vem se dedicando para alçar voos ainda maiores.
“Ao retornar às competições, eu já consegui um top-3 no
Campeonato Alagoano. Em 2025, conquistei o segundo lugar na mesma competição.
Para 2026, vamos tentar conquistar um pódio na competição regional e, se tudo
der certo, ter um espaço na disputa nacional, que acontece em São Paulo,” planeja
Cataldo.
Para o militar, o esporte se tornou um instrumento de
transformação que vai além das conquistas individuais. O fascínio do
adolescente carioca virou uma ferramenta de transformação pessoal e coletiva,
transformando-o em uma referência aos seus colegas de farda.
FONTE: Governo de Alagoas

