DIREITOS HUMANOS – Socorro sob as grades: famílias denunciam tortura, fome e sede em presídios de Maceió

Estado nega irregularidades e afirma manter rigor na lei

O sistema prisional de Alagoas está sob os holofotes de uma grave denúncia humanitária. Relatos desesperadores obtidos pela nossa reportagem indicam um cenário de violência e abandono em unidades da capital, Maceió. Áudios enviados por internos e seus familiares detalham um cotidiano de agressões físicas e falta de itens fundamentais para a sobrevivência, como água e comida.

A crise teria se acentuado após a remoção recente de reeducandos. Em um registro contundente, um interno descreve a situação de precariedade:

“Mãe, olha, escute: não estou nada bem. Aqui não tem alimentação, estamos todos passando fome. Aqui não tem água para tomar banho; para beber está uma pressão horrível”, relata o homem em tom de desespero.

Tortura e desamparo

O medo impera entre os parentes, que afirmam ter recebido confirmações de abusos através de visitas jurídicas. Segundo as denúncias, a chamada “Cela F” seria um dos pontos críticos. “Uma amiga minha, advogada, teve acesso à Cela F e o detento passou o recado de que eles estão apanhando e sofrendo tanto lá”, afirma uma testemunha que preferiu não se identificar por medo de retaliações ao seu familiar custodiado.

As famílias alegam ainda que a tentativa de buscar auxílio institucional na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não surtiu efeito imediato. Como forma de protesto, um movimento de familiares planeja o bloqueio de rodovias: “(Eles vão fazer protestos e fechar as rodovias em manifestação contra a situação de seus familiares)”, diz uma das mensagens.

A resposta da secretaria (Seris)

Em resposta emitida para a redação do A Notícia nesta quarta-feira (18), a Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) rebatou as acusações. A assessoria de comunicação da pasta afirmou que “a denúncia de que os presos estão passando fome e sendo torturados no sistema prisional de Alagoas não procede”.

A Secretaria defendeu a legalidade de suas operações, pontuando que as ações nas unidades visam garantir a ordem e a segurança. “A Seris ressalta que o sistema prisional segue rigorosamente o que determina a Lei de Execução Penal (LEP), garantindo a integridade física e os direitos dos custodiados”, conclui o comunicado.

Enquanto o Estado nega as irregularidades, as famílias afirmam que as marcas da violência e a privação de direitos são visíveis, mantendo a convocação para atos públicos na capital alagoana.

 

 

 

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