Instituto do Meio Ambiente divulga laudo sobre mortandade de peixes em Jequiá da Praia | Governo do Estado de Alagoas

25/02/2026 14:19 | Meio Ambiente

Instituto do Meio Ambiente divulga laudo sobre mortandade de peixes em Jequiá da Praia

Análises apontam presença elevada de bactérias, fósforo, ferro e matéria orgânica, situação que indica possível contaminação por ação humana


Análise foi realizada pela Gerência de Laboratório após o recebimento de denúncia sobre o caso

Ascom IMA/AL

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) divulgou,
nesta quarta-feira (25), o laudo técnico que aponta as causas da mortandade de
peixes ocorrida na laguna entre os povoados Mutuca e Paturais, em Jequiá da
Praia.

Três amostras foram coletadas no dia 11 de fevereiro – duas na foz do Rio
Jequiá e uma na margem da Lagoa Jequiá, e o relatório apontou quatro parâmetros
acima dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005 para águas
doces: coliformes termotolerantes, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), ferro
dissolvido e fósforo total. As análises indicaram presença elevada de Escherichia
coli (E. coli) em duas amostras, sugerindo possível contaminação por
esgoto, além de excesso de fósforo em todos os pontos, o que pode estimular a
proliferação de algas e reduzir o oxigênio da água.

 

Também foram registrados níveis elevados de ferro e de DBO,
esta última sinalizando alta carga de matéria orgânica, geralmente associada a
despejos domésticos ou efluentes. Esse processo pode reduzir a quantidade de
oxigênio disponível na água, comprometendo a sobrevivência de peixes e outros
organismos aquáticos, fator que pode estar relacionado ao episódio registrado.

 

A análise foi realizada pela Gerência de Laboratório (Gelab),
após o recebimento de denúncia sobre o caso, e aponta contaminação por fontes
antrópicas, ou seja, provocadas por ações humanas, seja de forma direta ou
indireta.

O biólogo e gerente do Laboratório do IMA, Paulo Lira,
destaca que o documento conclui que os resultados apontam indícios de
contaminação por fontes antrópicas, ou seja, decorrentes da ação humana.

“Os resultados indicam possível impacto de esgoto sem
tratamento e do transporte de resíduos pela água da chuva. A matéria orgânica
encontrada pode ter origem em esgoto doméstico, fezes, restos de alimentos ou
resíduos da atividade agrícola. O excesso de matéria orgânica e nutrientes
reduz o oxigênio disponível na água, o que pode prejudicar os peixes e explicar
o desequilíbrio registrado”, explicou.

O laudo foi encaminhado à Gerência de Monitoramento e
Fiscalização (Gemfi) para que sejam adotadas as medidas cabíveis. As multas
variam de R$ 46.400,13 até R$ 2.320.790,00.

O IMA/AL ressalta a importância ambiental, social e econômica
do Rio e da Lagoa Jequiá para o estado, especialmente para atividades
tradicionais como a pesca, além de integrarem um ecossistema marcado por
manguezais. Destaca também a importância de a sociedade estar atenta a qualquer
alteração no ecossistema, como lançamento irregular de esgoto. Nesses casos, a
população pode registrar denúncias através do aplicativo IMA Denuncie,
disponível para celulares com sistema operacional Android e iOS.



Fonte: Governo de Alagoas