Com apoio da Fapeal, programa consolida cultura olímpica e amplia horizontes de estudantes da rede estadual | Governo do Estado de Alagoas

23/02/2026 11:20 | Educação

Com apoio da Fapeal, programa consolida cultura olímpica e amplia horizontes de estudantes da rede estadual

Edital movimentou a participação de alunos nas disputas nacionais, conquistando medalhas e consolidando a cultura de excelência acadêmica no ensino médio


Estudantes da rede estadual vêm ampliando sua participação em olimpíadas do conhecimento

Tárcila Cabral / Ascom Fapeal

O incentivo à pesquisa e à formação científica
desde o ensino médio tem gerado resultados exitosos na rede pública estadual.
Por meio do Programa de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), edital
desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas,
estudantes vêm ampliando sua participação em olimpíadas do conhecimento e
alcançando desempenho de destaque em competições nacionais.

 

A experiência é vivenciada no projeto “Clube
Olímpico: o conhecimento além dos muros da escola”, orientado pela professora
de Matemática Edvania Ribeiro, com coorientação da professora de Língua
Portuguesa Bianca Dias e do professor de Sociologia Diego Mendes. A iniciativa
integra a Trilha 4 do Pibic Jr, e é voltada ao fomento de trajetórias
acadêmicas de excelência no Ensino Médio.

Antes da criação do Clube Olímpico, segundo a
orientadora, não havia na escola um trabalho estruturado e contínuo de
preparação para as competições. A participação dos estudantes era eventual e
sem planejamento específico. “A Trilha 4 do Pibic Jr foi determinante para
mudar esse cenário. A partir dela, organizamos o Clube Olímpico com base em
planejamento estratégico, metas por área do conhecimento e cronograma anual de
eventos”, afirmou a professora.

 

Com a execução do projeto, a escola ampliou sua
participação de duas para 11 olimpíadas, abrangendo áreas como Matemática,
Ciências, Física, Educação Financeira, Redação, Robótica, Literatura,
Sociologia e Artes. Na prática, foram implementadas ações como mapeamento de
talentos, encontros semanais de estudo orientado, simulados periódicos com
análise de desempenho, formação de grupos por níveis e o envolvimento da gestão
escolar na consolidação de uma cultura olímpica institucional.

 

Resultados que refletem mudança
metodológica

 

Os resultados vieram acompanhando a mudança de
postura pedagógica. Os bolsistas do projeto conquistaram menções honrosas na
Olimpíada do Conhecimento Etapa (OCE), na Olimpíada Brasileira de Matemática
Financeira (OBMF), na Olimpíada Nacional de Energia (ONE), na Olimpíada de
Literatura e na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
(OBMEP).

 

Entre as medalhas, destacam-se o 1º lugar na
Olimpíada Nacional de Robótica, na etapa da Região Nordeste, e três medalhas de
ouro e duas de prata na Olimpíada do Tesouro Direto (OLITEF).

 

De acordo com Edvania Ribeiro, os frutos são
consequência direta da organização implementada com o apoio do edital da
Fapeal. “Priorizamos o desenvolvimento da base matemática, com foco em
raciocínio lógico e múltiplas estratégias de resolução. Organizamos trilhas de
aprendizagem com níveis crescentes de complexidade e trabalhamos a cultura do
erro como ferramenta de aprendizagem”, explicou a mentora.

 

A integração entre teoria e prática também foi
decisiva, especialmente na Robótica, com aplicação de conceitos matemáticos à
programação e à modelagem de trajetórias. Cada bolsista teve metas claras e
acompanhamento individualizado. “O diferencial foi a constância, o método e a
construção de uma mentalidade de alto desempenho acadêmico”, mencionou ela.

 

Linguagens como instrumento de
mobilidade acadêmica

 

Na área de Linguagens, a professora Bianca Dias
estruturou a preparação para as olimpíadas de Literatura e Redação em etapas
formativas. A leitura orientada das obras Morte no Nilo, de Agatha
Christie, Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, e Memórias
do Subsolo, de Fyodor Dostoevsky, foi acompanhada de fichamentos críticos,
rodas de discussão e simulados de interpretação com foco em análise inferencial
e figuras de linguagem.

 

Para a Olimpíada de Redação (OBP), a professora
realizou oficinas com ênfase em planejamento textual, construção de tese,
organização argumentativa e revisão estratégica, além da ampliação de
repertório sociocultural e elaboração de propostas de intervenção consistentes.

 

“O projeto foi desenvolvido como ação formativa e
também como estratégia de inclusão acadêmica, considerando que os bolsistas são
oriundos de uma comunidade socialmente vulnerável”, explicou a estudiosa.
Segundo ela, a preparação olímpica desenvolve competências que ultrapassam o
domínio técnico da leitura e da escrita.

 

No âmbito acadêmico, os estudantes ampliaram
repertório literário, expandiram a leitura crítica e aprimoraram a escrita
argumentativa. Já na área socioemocional, destacam-se a autoconfiança
intelectual, persistência diante de desafios complexos, disciplina e construção
de identidade acadêmica.

 

Ensino Médio como projeto de vida

 

Através do Pibic Jr também foi alterada a maneira
como os estudantes enxergam o próprio percurso escolar. “O Ensino Médio deixa
de ser visto apenas como etapa obrigatória e passa a ser compreendido como
período estratégico de construção de projeto de vida”, afirmou Bianca Dias.

 

De acordo com a professora de língua portuguesa,
alunos que cogitavam abandonar os estudos passaram a planejar o ingresso na
universidade. Outros, que viam na saída do estado a única possibilidade de
crescimento, passaram a reconhecer na formação acadêmica um caminho certeiro de
ascensão.

 

Segundo a orientadora do projeto, a escola passou a
vivenciar uma atmosfera de desafio intelectual, cooperação e busca por
excelência. “Percebo estudantes mais disciplinados, organizados e com crescente
interesse por carreiras nas áreas de exatas, tecnologia e engenharia”, afirmou
Edvania Ribeiro.

 

A autoestima acadêmica também foi elevada. Muitos
alunos passaram a liderar grupos de estudo e a assumir papel ativo na
organização das atividades olímpicas.

 

Contemplando os resultados, as estudiosas citam que
o maior impacto não foi visualizado apenas nas premiações, mas na mudança de
mentalidade, alunos da rede estadual compreendendo que podem competir em nível
nacional e construir trajetórias antes inimagináveis.



Fonte: Governo de Alagoas