CRISE DE PODERES – Ausência de Motta e Alcolumbre em ato oficial evidencia ruptura entre Executivo e Legislativo

Pela segunda vez consecutiva, chefes da Câmara e do Senado faltam à solenidade de 8 de janeiro, sinalizando fadiga com o tema e alinhamento com pautas de revisão penal

A ausência dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na cerimônia de hoje no Palácio do Planalto, consolidou o cenário de distanciamento político entre os poderes. Embora oficialmente tenham alegado compromissos de agenda e recesso parlamentar, a falta de participação dos chefes do Legislativo é lida por analistas como um recado direto ao governo Lula: o Congresso não deseja mais ser associado à narrativa do “golpe” explorada pelo Executivo.

Interlocutores de Alcolumbre e Motta indicam que ambos sofrem pressão direta de suas bases parlamentares, majoritariamente de centro-direita e oposição, que consideram o evento do 8 de janeiro uma “peça de propaganda política”. A ausência também é vista como um movimento estratégico para evitar o desgaste junto aos deputados e senadores que apoiam o projeto de lei que visa rever as condenações do Supremo Tribunal Federal (STF).

A falta de uma fotografia unificada dos Três Poderes, como ocorreu no primeiro ano após os ataques, fragiliza a ideia de uma “frente ampla” contra o autoritarismo. Enquanto o Executivo e o Judiciário mantêm a sintonia na defesa das condenações, o Legislativo se coloca como um contraponto, priorizando a pacificação com as bancadas conservadoras para garantir a governabilidade no início de 2026.