INFORMAÇÃO EM VOGA – Conferência em Lisboa debate avaliação de políticas públicas e papel estratégico da comunicação governamental

O Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa) realizou, nesta quarta-feira (17), a conferência “Avaliação de Políticas Públicas: Evidências para a Melhoria da Gestão e da Comunicação Governamental”. O encontro integrou o Ciclo de Conferências promovido pelo ISCSP em parceria com o Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP), com apoio do Governo de Alagoas, e reuniu especialistas de instituições brasileiras e portuguesas.

A programação concentrou-se nos conceitos, metodologias e contribuições da avaliação de políticas públicas para o fortalecimento da governança democrática, além da apresentação de programas estratégicos nas áreas de cidadania digital, regulação e comunicação governamental. Participaram docentes e pesquisadores do ISCSP-ULisboa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), representantes da Prefeitura de Salvador e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), promovendo um intercâmbio de experiências entre Brasil e Portugal.

Ao longo dos debates, foi destacada a crescente intersecção entre a avaliação técnica das políticas públicas e a comunicação estratégica dos governos, especialmente em um contexto marcado pela digitalização, pelas redes sociais e pelas novas demandas de transparência e participação cidadã. Temas como cidadania digital, regulação, combate à desinformação e prestação de contas estiveram no centro das discussões.

Ciclo de Conferências debate avaliação de políticas públicas e comunicação governamental

Entre os participantes, o secretário de Comunicação do Estado de Alagoas, Wendel Palhares, ressaltou a evolução institucional da área. Segundo ele, historicamente, a comunicação esteve vinculada diretamente ao gabinete do gestor, sem ser concebida como uma política pública estruturada. “Durante muito tempo, a comunicação não foi pensada como política pública. Em países como Chile e Argentina, por exemplo, ela funciona como um anexo do gabinete civil, o que revela como a gestão pública enxerga seu papel”, afirmou. Palhares destacou ainda que a Secretaria de Comunicação de Alagoas, que completa 40 anos, reflete essa transformação e a consolidação da comunicação como área estratégica do governo.

Palhares também enfatizou que, em um ambiente de redes sociais, plataformização e conexão permanente, a comunicação pública tornou-se uma necessidade concreta. “Ela é fundamental para dialogar com o cidadão e garantir acesso à informação. Pode ser decisiva para o sucesso ou o fracasso de outras políticas públicas, ao articular, dar compreensão e efetividade às ações do Estado”, disse.

O diretor de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), André Curvello, abordou os impactos da tecnologia sobre a sociedade e a comunicação. Para ele, a velocidade das transformações digitais tem aprofundado processos de polarização política, que se estendem à economia, à ciência e atingem diretamente a comunicação. “A comunicação passa a ser utilizada como instrumento que fortalece a polarização, em um contexto cada vez mais acelerado e com menos espaço para reflexão”, avaliou.

Já a diretora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciana Santana, destacou o enfrentamento da desinformação como tema central para a comunicação pública e para a governança democrática. Segundo ela, avaliar políticas públicas vai além da simples mensuração de resultados. “Trata-se de um processo que envolve produção de evidências, tomada de decisão informada, aprendizado institucional e, sobretudo, transparência e prestação de contas à sociedade”, afirmou, reforçando a importância de políticas públicas baseadas em evidências científicas.

A conferência reafirmou o papel da cooperação internacional e do compartilhamento de boas práticas entre Brasil e Portugal, evidenciando a avaliação de políticas públicas e a comunicação governamental como pilares essenciais para administrações mais eficientes, responsáveis e próximas do cidadão.

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