MAU GOSTO – Natal de Maceió 2025: quando o excesso apaga o encanto

A decoração natalina de Maceió deste ano tem chamado atenção, não pela beleza ou inovação, mas pela confusão visual que tomou conta da cidade, especialmente da orla marítima. O que deveria traduzir encanto, acolhimento e identidade urbana acabou se transformando em um amontoado de informações desconexas, cores agressivas e escolhas estéticas questionáveis.

A proposta anunciada de um “Natal Tropical”, que poderia dialogar com a identidade local, foi misturada de forma desordenada com figuras tradicionais do Natal europeu. O resultado é uma composição sem unidade visual, onde papais noéis de areia, bolas com pranchas de surf e golfinhos dividem espaço com renas, sem qualquer narrativa ou coerência estética.

O ponto mais emblemático dessa confusão está na árvore de Natal, dominada por uma explosão de luzes em tom laranja e azul intenso, que mais agride os olhos do que emociona. A escolha cromática, sem equilíbrio ou contraste adequado, compromete completamente a leitura visual do principal símbolo natalino, transformando-o em um elemento desconfortável e cansativo para quem passa.

Além disso, chama atenção o aspecto improvisado da decoração. Há uma sensação generalizada de que o projeto foi montado a partir de sobras de anos anteriores, como se os adereços natalinos tivessem sido retirados “do fundo de um armário empoeirado”, sem curadoria, sem conceito e sem o cuidado que um espaço público tão emblemático exige.

Nos últimos anos, Maceió vinha construindo uma trajetória positiva, com decorações que se superavam em criatividade, elegância e diálogo com a cidade. Este ano, no entanto, o que se vê é um retrocesso evidente, uma amenização no investimento criativo e uma perda clara de identidade visual.

A pergunta que ecoa entre moradores e visitantes é inevitável: por que ninguém está falando sobre a explosão de informação da decoração natalina de 2025? Em um cenário onde o espaço urbano é também um cartão-postal e um ativo turístico, o silêncio diante desse excesso causa estranhamento.

É importante destacar que a responsabilidade estética do projeto não recai diretamente sobre o prefeito. Segundo informações, a gestão municipal limita-se ao pagamento do contrato, enquanto a concepção, criação e execução ficam a cargo da empresa terceirizada responsável pela iluminação pública. Ainda assim, a falta de fiscalização e curadoria urbana levanta questionamentos sobre os critérios adotados.

O problema não é ser tropical, nem ousar nas cores. O problema é a ausência de projeto. O que vemos é uma poluição visual clara, que desrespeita a paisagem da orla e o conforto visual da população. A cidade perde elegância e identidade quando o excesso toma o lugar do conceito.

A chamada “catástrofe luminosa” não apenas tumultua a paisagem urbana, como compromete a experiência de quem vive e visita Maceió. O Natal, que deveria ser sinônimo de encanto e acolhimento, acabou sendo ofuscado por uma decoração que confunde, cansa e decepciona.

Resta a expectativa de que, nos próximos anos, a cidade volte a tratar sua decoração natalina como um projeto urbano sério, com planejamento, bom gosto e respeito à beleza natural que sempre foi seu maior patrimônio.