
ABUSO DE AUTORIDADE – Deputado Lelo Maia ultrapassa o limite do cargo ao dar voz de prisão a agentes do DMTT
O episódio protagonizado pelo deputado estadual Lelo Maia (União Brasil) é um retrato perigoso do uso indevido do poder político em situações cotidianas. O novo vídeo divulgado nesta segunda-feira (20) deixa evidente que o parlamentar ultrapassou a linha que separa o cidadão comum do representante público — e usou o peso do mandato para tentar constranger servidores que apenas cumpriam a lei.
As imagens mostram o deputado discutindo com agentes do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) de Maceió, após a autuação de um veículo ligado ao seu escritório de advocacia. Lelo Maia, irritado com a decisão, deu voz de prisão a dois servidores — um ato que, mais do que desproporcional, beira o abuso de autoridade. Nenhum deputado tem prerrogativa legal para determinar prisões fora de flagrante delito ou fora de sua competência funcional. A tentativa de impor hierarquia política sobre servidores públicos municipais é, portanto, inaceitável.
O próprio parlamentar confirma, no vídeo, que o carro em questão realizava o transporte de clientes de seu escritório de advocacia, ainda que negue tratar-se de serviço remunerado. Mesmo assim, os agentes de trânsito apenas cumpriam sua função ao aplicar o auto de infração — um procedimento previsto em lei para casos de transporte irregular de passageiros, considerado infração grave. Nada justifica a tentativa de intimidar os servidores ou de transformar uma autuação em palco de confronto político.
Ao se defender nas redes sociais, Lelo Maia tentou inverter a narrativa e acusou os agentes de praticarem uma “indústria da multa”, dizendo ter reagido a uma suposta intimidação. Mas o vídeo mostra o contrário: um deputado exaltado, cercado de assessores, usando o cargo e o tom de autoridade para constranger profissionais que estavam no exercício do dever.

