
MANCHETE – Promotor de Justiça é acusado de assédio moral por advogada; caso chega à Corregedoria do MP
O promotor de Justiça Delfino Costa, do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), foi acusado de assédio moral por uma advogada alagoana em ocorrência registrada na Delegacia da Mulher, em Maceió, no dia 17 de setembro de 2025. A denunciante é a advogada Adriana Mangabeira Wanderley, que também protocolou representação contra o promotor na Corregedoria do MP/AL. O caso deverá ser apreciado pelo Conselho de Ética da instituição.
De acordo com o documento apresentado pela advogada, Delfino Costa estaria “unindo forças para perseguir a representante no pessoal e profissionalmente, praticando atos que configuram a prática de infração”. No texto, Adriana relata que o promotor utilizou sua posição em dois processos que tramitam no Juizado Especial Criminal e do Torcedor da Capital para assediá-la moralmente por meio de diversas ligações feitas pelo aplicativo Instagram. Segundo a representação, a advogada nunca autorizou esse tipo de contato e interpreta a conduta como uma perseguição. Ela sustenta que o comportamento viola sua atuação profissional e pede providências: “Assim sendo, requeiro de Vossa Excelência o afastamento do Procurador Delfino Costa Neto dos processos da Representante, bem como a nulidade dos pareceres nos processos por ele assinado”, afirma Adriana Mangabeira Wanderley, no documento protocolado em 18 de setembro de 2025.
Além da denúncia escrita, a advogada também acusa Delfino de proferir ataques pessoais em defesa de figuras políticas, e reforça que sua conduta configura assédio moral contra uma mulher advogada no exercício da profissão.
Durante contato com a reportagem do portal Capital Notícias, Delfino Costa negou qualquer conduta de assédio. Ele afirmou que nunca tentou manter intimidade com Adriana e disse que sua ligação para a advogada teve como objetivo apenas evitar prejuízo processual. Segundo o promotor, a audiência, marcada para ocorrer por videoconferência, não contou com a presença da advogada, que não ingressou na sala virtual. A secretaria do juizado tentou contato telefônico sem sucesso, e ele teria feito a ligação por consideração, para evitar que o processo fosse arquivado por renúncia tácita da queixa-crime.
“O episódio que ela entendeu como assédio configuraria, na verdade, apenas um suposto assédio moral. Ela imaginou que eu teria ligado para notificá-la sobre a audiência, mas, na realidade, a intimação foi feita por oficial de justiça. Apenas procurei auxiliá-la, para que não perdesse o processo”, afirmou Delfino, em mensagens enviadas à redação.
O promotor também apresentou documentos para sustentar sua versão, incluindo o pedido da própria advogada para participar da audiência de forma virtual e a ata da sessão, que registraria a data da ligação. Ele argumenta que Adriana estaria sob forte estresse e acabou interpretando sua atitude como perseguição.
A reportagem teve acesso a prints e documentos que embasam a denúncia, que já foram encaminhados à Corregedoria do MP/AL. O caso segue em apuração. A Delegacia da Mulher e os órgãos de controle interno do Ministério Público ainda devem se manifestar sobre as acusações.

