
JUSTIÇA FEITA – Serial Killer de Maceió é condenado por novo homicídio e acumula quase 62 anos de prisão
Louise Gbyson Vieira de Melo foi morta a tiros em 2023
Albino Santos de Lima, de 43 anos, foi condenado a mais 24 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato de Louise Gbyson Vieira de Melo, mulher trans de 19 anos, morta a tiros em novembro de 2023 no bairro Vergel do Lago, em Maceió. O júri popular, realizado nesta sexta-feira (6) na 7ª Vara Criminal da Capital, reconheceu as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
O novo veredicto se soma a uma condenação anterior de 37 anos, imposta em abril, por homicídio e tentativa de assassinato contra duas outras vítimas. Com isso, Albino acumula quase 62 anos de reclusão. Ele permanece no sistema prisional, onde está detido desde o ano passado, à espera de novos julgamentos relacionados a outros crimes que admitiu ter cometido.
Durante o julgamento, o promotor Antônio Vilas Boas classificou o crime como resultado de ódio direcionado a mulheres e pessoas trans. De acordo com a acusação, Louise foi seguida por Albino após sair da escola e, ao chegar em casa, foi alvejada com tiros na cabeça. A arma utilizada foi apreendida na residência do réu e identificada por perícia balística como a mesma do crime.
A atuação de Albino, ex-agente da Polícia Penal, é considerada pelas autoridades uma série metódica de assassinatos. A Polícia Civil atribui a ele ao menos 18 homicídios na capital alagoana — 16 deles confessados. As vítimas, em sua maioria mulheres e pessoas vulneráveis, foram mortas com características semelhantes: perseguição prévia, ataques noturnos e execução com arma de fogo.
As investigações se aprofundaram após a recuperação de dados do celular de Albino, que havia sido formatado. Peritos encontraram pastas nomeadas como “odiada Instagram” e “morte especiais”, com fotos em cemitérios onde ele aparece diante dos túmulos de vítimas. Esses materiais serviram como base para a reabertura de inquéritos arquivados e a confirmação de ligações entre os crimes.
No Fórum do Barro Duro, o clima era de comoção. Familiares de Louise e representantes de movimentos sociais acompanharam o julgamento. A avó da jovem, Gilvânia Ferreira, se manifestou emocionada após a sentença: “Minha neta tinha planos, queria viver. Essa condenação não traz ela de volta, mas reconhece a gravidade do que ele fez.”
Nos próximos meses, novos processos devem ser abertos contra Albino, conforme a polícia conclui análises de provas digitais e depoimentos colhidos ao longo da investigação. Embora tenha colaborado inicialmente, o réu optou pelo silêncio durante o julgamento mais recente. A Justiça ainda apura se há outras vítimas não identificadas entre os registros analisados.

