
CRIME ORGANIZADO – Mulher de MC Poze é acusada de lavar R$ 250 milhões do tráfico
Polícia liga influenciadora ao esquema financeiro do Comando Vermelho
Uma operação de alto impacto deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (3) coloca a influenciadora digital Viviane Noronha, esposa do funkeiro MC Poze do Rodo, no centro de um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Comando Vermelho nos últimos anos. De acordo com as investigações, Viviane e empresas em seu nome teriam recebido parte dos R$ 250 milhões movimentados pelo braço financeiro da facção.
A ação envolve agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e do Departamento-Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD). Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo, além do bloqueio de 35 contas bancárias.
Segundo os investigadores, a influenciadora era usada como canal para escoar e maquiar dinheiro oriundo do tráfico de drogas e da compra de armamento pesado. A polícia afirma que Viviane se beneficiava diretamente de recursos desviados por operadores do Comando Vermelho, que utilizavam laranjas para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
A posição da empresária, segundo os agentes, não era apenas de conveniência. Seu papel teria sido estratégico: dar aparência de legalidade a valores vindos do crime, integrando-os a um estilo de vida baseado em luxo, visibilidade nas redes sociais e consumo ostentatório — elementos centrais na propaganda simbólica da facção.
As análises financeiras indicam que o dinheiro circulava por empresas registradas em nome de Viviane e de pessoas próximas, sendo posteriormente investido em empreendimentos e serviços ligados ao entretenimento, à moda e à produção de eventos. Um dos locais investigados é um restaurante que funcionaria como fachada para a lavagem de capitais, situado em frente ao “Baile da Escolinha” — evento popular em comunidades do Rio, supostamente financiado pela facção.
Outro braço do esquema estaria em uma produtora de funk usada para realizar eventos patrocinados por traficantes. Esses bailes funcionariam como ponto de venda de entorpecentes e vitrine de poder da organização, ao mesmo tempo em que lavavam dinheiro sob a aparência de atividade cultural.
MC Poze foi preso na última quinta-feira (29), acusado de associação ao tráfico. Com a operação desta terça, a polícia afirma ter evidências de que o casal formava um elo direto entre o crime organizado e a indústria do entretenimento digital, usando a imagem pública para facilitar o trânsito de dinheiro ilícito no sistema financeiro formal.
A investigação continua em sigilo, mas fontes próximas ao caso indicam que novas prisões e bloqueios de bens devem ocorrer nos próximos dias. A defesa de Viviane Noronha ainda não se manifestou.

