MEDO DA CADEIA – Com Collor como precedente, aliados aconselham Bolsonaro a pedir prisão domiciliar

Ex-senador cumpre pena em casa após alegar problemas de saúde; estratégia pode ser replicada por Bolsonaro

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) passaram a defender, nos bastidores, que o ex-presidente solicite o cumprimento de eventual pena em regime domiciliar, caso seja condenado no inquérito que apura sua participação no fracassado golpe de 8 de janeiro. A estratégia se inspira na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que concedeu prisão domiciliar ao ex-senador e ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, condenado por corrupção passiva.

O argumento central seria o mesmo utilizado pela defesa de Collor: a existência de comorbidades e a idade avançada. Aos 75 anos, o ex-senador alagoano alegou sofrer de apneia grave do sono, doença de Parkinson e transtorno afetivo bipolar. O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, acolheu o pedido com base em precedentes semelhantes.

A movimentação ocorre no momento em que Bolsonaro se vê cada vez mais próximo de uma possível condenação. Em sessões recentes do STF, Moraes tem sido alvo recorrente de pedidos de suspeição por parte da defesa de investigados nos inquéritos do 8 de janeiro — algo que o ministro ironizou nesta terça-feira.

— Quando surge o nome do ministro Fux, ninguém pede a suspeição dele. Quando é o meu, são 868 pedidos. Suspeito é quem está pedindo minha suspeição — afirmou Moraes, durante sessão da Primeira Turma, que julgava denúncia contra um grupo acusado de disseminar desinformação sobre o processo eleitoral.