
CONTRASTE NO TRATAMENTO – Prisão de MC Poze expõe disparidade com casos como o de Collor, aponta Sakamoto
Colunista critica exposição do funkeiro e destaca que ex-presidente, condenado por corrupção, teve imagem preservada
O colunista Leonardo Sakamoto, do UOL, criticou nesta quinta-feira (29) o que chamou de tratamento desigual dado pelo poder público a acusados de crimes no Brasil, dependendo da cor da pele, classe social e visibilidade. A análise foi motivada pela prisão temporária do funkeiro MC Poze do Rodo, no Rio de Janeiro, por suspeita de apologia ao crime e ligação com facção criminosa.
O artista foi exibido algemado e sem camisa, encostado contra a parede, mesmo sem resistir à prisão. As imagens foram amplamente divulgadas, o que, segundo Sakamoto, contrasta com a forma como figuras como o ex-presidente Fernando Collor — condenado a mais de oito anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — foram tratadas. “Não apareceu sem camisa, algemado contra a parede de casa”, observou o colunista.
Ele também citou os casos de Thiago Brennand, preso após meses foragido, que teve o rosto coberto e as algemas escondidas; de Roberto Jefferson, que feriu policiais com tiros e granadas, mas foi tratado com gentileza; e de Renato Cariani, influenciador fitness réu por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que ainda não chegou a ser preso.
“Não estou sugerindo que a régua seja baixada para que todos passem pelo mesmo que MC Poze. Pelo contrário: defendo que todos os acusados sejam tratados como Collor, Brennand, Jefferson e Cariani — independentemente da cor da pele, classe social ou saldo bancário”, escreveu Sakamoto, que conclui: “Um pouco de isonomia no Brasil cairia bem. Até para a gente não parecer tão racista quanto a gente realmente é”.


