INCERTEZAS – Lira reafirma apoio a JHC em público, mas bastidores confirmam rompimento

Exoneração de aliados de Lira da prefeitura e divergências sobre 2026 selam fim da aliança

Apesar de reafirmar publicamente o apoio ao prefeito de Maceió, JHC (PL), durante evento realizado nesta sexta-feira (30), o deputado federal Arthur Lira (PP) já não faz mais parte, na prática, do núcleo político da atual gestão municipal. O rompimento, tratado com discrição nos bastidores, foi selado com a exoneração de todos os indicados de Lira da administração, especialmente na Secretaria Municipal de Educação. As demissões foram publicadas no Diário Oficial do Município na quinta-feira (29).

“Não mudou nada com o prefeito JHC. Eu sempre fui parceiro e continuo sendo parceiro. Espero vê-lo governador do Estado. Alagoas precisa e necessita de um revigoramento”, afirmou Lira, negando qualquer crise. A aliança entre os dois teve início nas eleições de 2022, quando marcharam juntos apoiando Rodrigo Cunha ao governo do Estado e Davi Davino Filho ao Senado. Em 2023, a parceria foi reforçada com a nomeação de aliados do deputado a cargos estratégicos, mas o desgaste se acentuou nos meses seguintes, culminando com o rompimento.

Interlocutores próximos ao prefeito confirmam que o afastamento é definitivo. “Nem Murici, nem Junqueiro. JHC vai apostar no novo”, afirmou uma fonte do alto escalão da prefeitura, em alusão ao grupo político liderado por Lira. Entre os episódios que contribuíram para o distanciamento está a disputa pela indicação de um nome ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O prefeito defende a nomeação da procuradora Marluce Caldas, sua tia, com apoio de figuras como Renan Calheiros (MDB) e Paulão (PT). Segundo aliados de JHC, Lira teria atuado nos bastidores contra a candidatura.

O principal impasse, no entanto, envolve os planos para 2026. Lira projetava uma chapa com JHC candidato ao governo de Alagoas e ele próprio disputando o Senado. Para isso, o prefeito teria de renunciar ao cargo e enfrentar a força política do ministro Renan Filho (MDB), algo que ele não demonstra disposição em fazer. Além disso, JHC não sinaliza abrir mão da vaga hoje ocupada por sua mãe, a senadora Eudócia Caldas (PL), que pode concorrer à reeleição.

Com o afastamento consolidado, JHC articula uma nova composição majoritária para as eleições de 2026. Entre os nomes cogitados para disputar o Senado em sua chapa estão Davi Davino Filho, o deputado Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil) e a primeira-dama Marina Caldas. A movimentação já começou — e, ao que tudo indica, sem retorno.