EDITORIAL – Crime e poder: o que Galbinha revela sobre Alagoas

A cena é digna de um faroeste moderno: um empresário conhecido, ao volante de uma caminhonete sem placas, destrói o portão da casa de um ex-prefeito e dispara contra o imóvel vazio — tudo filmado pelas câmeras de segurança. O enredo, no entanto, não se passa em uma ficção cinematográfica. Aconteceu em Porto Calvo, em pleno 2025, e tem como protagonista Galba Accioly Filho, o Galbinha, nome recorrente nos bastidores da política e da elite alagoana.

Não se trata apenas de um crime isolado. O episódio é sintoma de um problema muito maior: a naturalização da violência como instrumento de poder, especialmente quando praticada por quem se sente acima da lei. A audácia da invasão — com arma de uso restrito, ameaças e destruição de patrimônio — escancara o abismo que separa cidadãos comuns de figuras que orbitam a política e o empresariado local. Se um ex-prefeito é alvo desse tipo de ataque, o que dizer do cidadão anônimo, sem conexões e sem câmeras?

O caso precisa ser tratado com a gravidade que merece. Não basta esperar que a polícia “localize o suspeito”. A sociedade alagoana exige respostas céleres, imparciais e firmes. A responsabilização de Galbinha — que já responde por outro crime semelhante neste mesmo ano — é uma questão de justiça, mas também de recado. Recado de que não há espaço para coronelismos disfarçados, para valentões de terno e arma, nem para blindagens construídas nos gabinetes do poder.

O episódio é um teste: para a polícia, para o Ministério Público, para o Judiciário e para a própria imprensa. Ou vamos permitir que o crime continue sendo a linguagem dos poderosos?