
BRASIL – Eleições na Alemanha: Extrema-direita avança em meio à crise econômica e geopolítica, com chanceler favorito enfrentando desafios crescentes.
Temas importantes como a guerra na Ucrânia, o aumento do preço da energia devido ao corte no fornecimento do gás barato russo, a imigração e o futuro da segurança da Alemanha em relação ao posicionamento dos Estados Unidos têm dominado o debate eleitoral.
De acordo com as pesquisas, o partido conservador União Democrata Cristã (CDU), liderado pela ex-chanceler Angela Merkel e atualmente liderado por Friedrich Merz, desponta como favorito. A expectativa é que a CDU consiga costurar uma coalizão com maioria no Bundestag, o Parlamento alemão, para eleger o novo chanceler.
Por outro lado, o atual chanceler, Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), é apontado como possível grande derrotado. Prevê-se que o partido perca vários assentos no Legislativo. Além disso, há expectativa de crescimento dos partidos de esquerda, como A Esquerda (Die Linke) e a Aliança Sahra Wagenknecht – Razão e Justiça (BSW), que combinam propostas contra a imigração com políticas econômicas e de saúde de esquerda.
A alternativa para a Alemanha (AfD), representante da extrema-direita, é esperada para se tornar a segunda maior força política do país sob a liderança da candidata à chanceler Alice Weidel. Weidel, com um perfil atípico para a ultradireita, promete ser rígida contra a imigração e defender o fim da guerra na Ucrânia e da Otan. A especialista Carolina Pavese ressalta que o AfD tem capilaridade em todo o país e é forte nos distritos locais.
A crise econômica na Alemanha também é um ponto central nas discussões eleitorais. José Luís Del Roio, ex-senador da Itália e especialista em Europa, destaca que o crescimento da AfD está relacionado à crise econômica alemã e ao medo dos trabalhadores de perderem empregos para imigrantes. Del Roio ressalta que a produção industrial alemã caiu 9% nos últimos quatro anos, o que considera um desastre. A relação entre a guerra na Ucrânia e a crise econômica também é mencionada, com altos gastos com energia que afetaram a competitividade industrial do país.
O partido Verde alemão, que atualmente compõe o governo com Scholz, deve perder força nas eleições devido ao apoio à guerra na Ucrânia e à substituição do gás russo por carvão. As questões ambientais e climáticas têm tido menos destaque nessa campanha eleitoral, segundo os especialistas. Em resumo, as eleições na Alemanha deste domingo são cruciais para o futuro do país e terão repercussões não apenas internamente, mas também na Europa como um todo.


