
BRASIL – Falta de preparo das empresas dificulta inclusão de trabalhadores com deficiência e neurodivergência no mercado de trabalho: estudo revela despreparo.
O estudo contou com a participação de 1.230 pessoas com 18 anos ou mais que se declaram neurodivergentes ou possuem alguma deficiência. Os resultados apontaram também que 71% desses trabalhadores preferem um modelo de trabalho remoto ou híbrido, ou seja, que mescla expedientes presenciais e remotos. Ter autorização da chefia para trabalhar de casa pode ser crucial para esses profissionais, visto que muitas vezes as empresas não oferecem adequações necessárias para sua atuação no ambiente de trabalho.
Um exemplo prático dessa falta de preparo por parte das empresas foi compartilhado por um usuário em uma rede social, que relatou ter sido selecionado para uma vaga de emprego e posteriormente dispensado porque sua cadeira de rodas não passava pela porta do banheiro do escritório. Esse tipo de situação evidencia como muitas empresas ainda não estão adaptadas para receber pessoas com deficiência.
A pesquisa também revelou que um terço dos respondentes afirmou que seu ambiente de trabalho não é adaptado para suas necessidades. Além disso, quase todos os participantes do estudo se apresentam como pessoas com deficiência ou neurodivergência durante processos seletivos. Isso pode indicar que alguns ainda não se sentem confortáveis em se declarar dessa forma, por medo de perder oportunidades, ou ainda não identificaram essas condições em si mesmos.
Entre os diagnósticos considerados como neurodivergências estão o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA), transtorno afetivo bipolar, altas habilidades, entre outros. É importante destacar a necessidade de adaptar os ambientes de trabalho e promover a inclusão e a acessibilidade para garantir que todos os profissionais tenham oportunidades iguais de desenvolvimento.
Apesar de existirem leis e políticas voltadas para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, como a Convenção sobre as Pessoas com Deficiência da ONU, a realidade ainda está distante do ideal. A diretora Lia Calder, da companhia 4CO, ressalta que é responsabilidade das empresas se adaptarem às necessidades dos funcionários com deficiência e neurodivergência, e não o contrário. Ela aponta que as barreiras existentes mostram que o Brasil ainda não cumpriu integralmente o que foi acordado em acordos internacionais e constitucionais.
Portanto, é fundamental que as empresas invistam em programas de inclusão e acessibilidade, além de promoverem uma mudança de mentalidade em relação à contratação e ao desenvolvimento profissional de pessoas com deficiência ou neurodivergência. Somente assim será possível garantir um ambiente de trabalho mais igualitário e inclusivo para todos os profissionais.









