
BRASIL – Defesa no Caso Paraisópolis Atribui Responsabilidade pelas Mortes às Condições do Espaço em Audiência de Instrução
Desde o trágico incidente, os familiares das vítimas têm se mobilizado, organizando manifestações na comunidade de Paraisópolis e nos dias das audiências. Eles exigem justiça, pedindo que os 12 policiais acusados de homicídio sejam responsabilizados de forma mais ágil no processo. Na última audiência, eles se mantiveram diante dos portões do Fórum Criminal da Barra Funda, zona central da capital paulista, onde as audiências estão ocorrendo.
Nesta fase do processo, será decidido se os policiais irão a júri popular. A audiência teve como objetivo colher o depoimento de dez testemunhas indicadas pelos agentes. Além de destacar as condições do espaço onde o baile funk foi realizado, a defesa dos policiais explorou a formação e o preparo dos agentes para atuar em situações como a que ocorreu nesse caso.
Durante as primeiras audiências de instrução, a defesa dos policiais havia enfatizado a causa da morte das vítimas, alegando que teria sido resultado de pisoteamentos, em contraposição à suspeita de asfixia mecânica apontada por uma biomédica da Universidade Federal de São Paulo. Os familiares dos jovens acreditam que eles foram encurralados pelos agentes em uma viela.
Na audiência, o tenente da PM Diego Felício Novaes afirmou que o local onde o baile foi realizado não era adequado para comportar a quantidade de pessoas presentes. Ele também sustentou que a equipe não estava preparada previamente para lidar com o caos que se instaurou, apesar dos treinamentos recebidos.
Em relação ao uso de granadas e morteiros durante a operação, houve controvérsias. Enquanto um dos advogados dos policiais afirmou que a quantidade de granadas utilizadas foi adequada, foi levantada a questão do emprego de um morteiro, com alguns agentes alegando desconhecimento sobre o equipamento.
A promotora do caso questionou a eficácia do uso de armas não letais na preservação da integridade física das pessoas presentes, levando a debates acalorados durante a audiência. Os advogados de acusação também destacaram a suposta direção dos agentes à viela onde os jovens morreram, levantando questionamentos sobre a conduta dos policiais naquela noite.
O episódio, conhecido como Massacre de Paraisópolis, ocorreu durante o Baile da DZ7, em dezembro de 2019, resultando na morte de nove jovens. Agora, a Justiça decidirá se os policiais acusados irão a júri popular, enquanto outro agente responde por colocar pessoas em risco ao soltar explosivos durante a operação. O caso continua gerando comoção e intensos debates sobre a atuação policial e a busca por justiça para as vítimas e suas famílias.


