BRASIL – Insetos infectados com protozoário da Doença de Chagas são encontrados no Instituto Butantã, alerta Associação de Pesquisadores Científicos de SP

No último trimestre de 2024, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) fez uma denúncia grave à imprensa, revelando a presença de dois insetos do tipo barbeiro no pavilhão Lemos Monteiro, um prédio centenário do Instituto Butantã adaptado para uso de laboratórios de pesquisa. Esses barbeiros foram capturados em outubro e novembro daquele ano e estavam infectados pelo protozoário Trypanossoma cruzi, causador da temida Doença de Chagas.

Segundo Patricia Clissa, pesquisadora e associada da APqC, os técnicos da vigilância em saúde da prefeitura informaram que mais dez barbeiros foram encontrados em outra área do instituto, sendo que dois deles estavam contaminados com o Trypanosoma cruzi. Além disso, o Campus Butantã da USP também teve a presença de pelo menos seis barbeiros no final do ano passado.

A região do Butantã, onde se encontra o Instituto Butantã, é habitada por animais silvestres que são reservatórios naturais do parasita, como saruês. A presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, alerta para o deslocamento desses animais devido à expansão urbana, favorecendo o contato do barbeiro com os humanos. A extinção da Sucen em 2020 também é citada como um fator que prejudicou o monitoramento adequado dos casos.

A Doença de Chagas, considerada uma doença negligenciada, apresenta uma fase aguda com sintomas como febre prolongada, dor de cabeça e fraqueza intensa. A falta de prioridade no desenvolvimento de medicamentos e métodos de prevenção para essa doença contribui para a subnotificação de casos, sendo endêmica em países da América Latina, incluindo o Brasil.

A Secretaria de Saúde do Estado informou que tem monitorado a circulação do Trypanosoma cruzi em São Paulo desde 2019 e não há registros de infecção em humanos na área urbana. Medidas de prevenção estão sendo adotadas para proteger a população e evitar a propagação da doença. Ao mesmo tempo, a Secretaria Municipal da Saúde também garantiu que não há transmissão da Doença de Chagas na capital paulista e que a população vem sendo informada e monitorada para prevenir possíveis infestações de barbeiros.

Diante desse cenário preocupante, a APqC alerta para a importância de ações preventivas e de controle para evitar a propagação da doença e proteger a população. A vigilância e o monitoramento contínuo são fundamentais para garantir a segurança e a saúde da comunidade.