
BRASIL – Conselho Regional de Engenharia cancela registro de geólogo envolvido em rompimento de barragem em Brumadinho há seis anos.
Grandchamp foi um dos signatários do laudo de estabilidade da barragem, emitido em junho de 2018 juntamente com a consultoria alemã Tüv Süd. O documento atestava a estabilidade da estrutura mesmo após análises que mostravam um fator de segurança abaixo do mínimo recomendado pelas boas práticas de engenharia internacional. Após um processo ético aberto pelo Crea-MG no ano seguinte à tragédia, o geólogo teve seu registro cancelado, impedindo-o de exercer atividades profissionais fiscalizadas pelo conselho.
A decisão de cancelamento do registro se baseou no artigo 75 da Lei Federal 5.194/1966, que prevê punições em casos de má conduta pública e escândalos relacionados à atuação do profissional. O processo ético também levou em conta os dispositivos da Resolução 1.090/2017 do Confea, que definem má conduta pública como atuação incorreta e irregular no exercício profissional.
Até o momento, Grandchamp não se pronunciou sobre o cancelamento de seu registro. O Crea-MG informou que o acesso aos autos é vedado, impossibilitando a divulgação das ações específicas do geólogo consideradas como má conduta e escândalo. O processo criminal que envolve o geólogo e outros réus continua em andamento, com reviravoltas e recursos sendo interpostos pelo Ministério Público Federal.
Além disso, o caso de Brumadinho não é o único envolvendo o rompimento de barragens em Minas Gerais. Em 2015, o desastre da mineradora Samarco em Mariana resultou no cancelamento de registros de profissionais e em um processo criminal sem condenações. A tragédia em Brumadinho e Mariana colocou em evidência a importância da fiscalização e responsabilização dos envolvidos em casos de rompimento de barragens, visando evitar novas tragédias e garantir a segurança das comunidades afetadas.


